O Mastodon é tudo isso mesmo?

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Mastodon: uma surpresa a cada disco

A banda americana Mastodon acaba de ganhar mais um prêmio para incluir em sua coleção, o Grammy de melhor performance de metal pela música Sultan’s Curse, do álbum Emperor of Sand. Foi a quarta indicação do grupo nessa categoria. Há uma reverência galopante entre críticos de música, fãs e jornalistas que sugere a seguinte pergunta: será o Mastodon o principal nome do metal de sua geração?

Fundado entre 1999 e 2000, em Atlanta (EUA), o grupo composto pelos guitarristas  Brent Hinds e Bill Kelliher, o baixista Troy Sanders e o baterista Brann Dailor, que faz uma inovadora mistura de rock progressivo e metal, lançou o primeiro álbum, Remission, em 2002, pela gravadora Relapse Records. O reconhecimento, no entanto, veio com o disco seguinte, Leviathan (2004), o álbum conceito que se inspira nas aventuras narradas pelo escritor Herman Melville na clássica obra do século 19 Moby Dick.

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Esse importante marco na carreira do grupo catapultou-os à posição de principal nome do heavy metal surgido após o ano 2000, conquistando o apreço de várias publicações dedicadas ao gênero. Com sua combinação de brutalidade, letras cantadas por todos os integrantes da banda e arranjos criativos e complexos, Leviathan foi eleito o álbum do ano pelas revistas Kerrang e Terrorizer. Para a Rolling Stone, está entre os melhores álbuns de metal de todos os tempos.

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O filme que deixou todo mundo de cabelo em pé em Sundance

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Cena de “Hereditary”, exibido pela primeira vez em Sundance

O ano mal começou e um filme, exibido neste mês no Festival de Sundance (EUA), já está cotado para a lista dos mais assustadores de 2018. Trata-se de Hereditary, primeiro longa-metragem do jovem americano Ari Aster, diretor de curtas como o polêmico The Strange Things About the Johnsons. Jornalistas que estão fazendo a cobertura do evento andam empolgados com o que viram.

Patrick Ryan, do jornal USA Today, cravou em sua resenha: “é o filme de terror mais insano dos últimos anos”. O site Thrillist, em texto de Dan Jackson, segue a mesma linha, afirmando ser um dos filmes mais perturbadores que foram lançados recentemente. Crítico da Vanity Fair, Richard Lawson disse que “deixou o cinema se sentindo abalado, esgotado e completamente aliviado”.

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Eu ainda não vi o filme — nem há uma data de estreia definida nos EUA –, mas reproduzo a sinopse que foi divulgada no site do festival para dar uma ideia do enredo. A família Graham começa a desvendar seu passado após a morte da reclusa avó. A sombra de sua presença ainda é sentida na casa, especialmente para sua neta Charlei, com quem mantinha uma relação de fascínio. Alguns incidentes abalam a paz da família, e a mãe é obrigada a lidar com uma herança indesejada.

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O livro oculto de Xerxenesky

 

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O escritor gaúcho Antônio Xerxenesky (Foto: Renato Parada)

Antônio Xerxenesky mergulhou fundo no estudo do ocultismo para escrever o livro As Perguntas, ótimo lançamento de 2017 que, assim como Neve Negra, de Santiago Nazarian, dá fôlego a um gênero moribundo no mercado editorial brasileiro, o terror. Com a ajuda do amigo e mentor Daniel Pellizzari, ele pesquisou textos de Aleister Crowley, Éliphas Lévi, Mircea Eliade e outros tratados sobre paganismo para dar corpo à história de Alina, uma doutoranda em religião que sofre com a visão de sombras e vultos. Para pagar as contas, ela trabalha, quase no piloto automático, como editora de vídeos institucionais em um escritório na região da Avenida Paulista, em São Paulo.

Em entrevista ao blog, Xerxenesky conta que sempre sofreu do mesmo mal de Alina: via, a contragosto, resíduos de sonhos, imagens e sombras. “Essa foi a inspiração autobiográfica do livro. Mas, ao contrário dela, não cogito que isso é algo sobrenatural”, diz o autor, que nasceu em Porto Alegre e mora na capital paulista. As Perguntas é seu terceiro romance. Antes, escreveu Areia nos Dentes (2010) e F (2014), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, além de dois livros de contos. Ao flertar com gêneros populares, como a ficção científica e o terror, Xerxenesky assume o risco de ser um intruso na festa da literatura brasileira, onde o realismo e o academicismo predominam.

+ Immersive horror: o novo fenômeno americano

“A literatura brasileira, de modo geral, quer ser bem vista, quer ganhar prêmios, ser matéria de teses de doutorado, e para isso é preciso trajar um terno completo. O terror nunca usa terno completo. O terror é a roupa esfarrapada. O realismo, um vício da literatura brasileira, pode se tornar uma prisão, e todos meus livros foram tentativas de fugir disso”, afirma.

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“As Perguntas”: terceiro romance de Xerxenesky

No repertório de Xerxenesky, formado em Letras e mestre em Literatura Comparada, cabem tanto filmes italianos de terror dos anos 1970, de diretores como Lucio Fulci e Dario Argento, quanto músicas de bandas de metal experimental, a exemplo de Sunn 0))) e Agalloch. Não nega que cultiva um “fetiche pelas dark arts”. Embora não tenha medo de fantasmas, preocupa-se com a infelicidade de sua geração, que passou dos 30 anos, continua insatisfeita e tenta resolver tudo à base de remédios, e teme o surgimento de um fascismo cultural no Brasil.

Leia a seguir a entrevista que fizemos com o escritor.

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2017: o terror em alta na bilheteria

2017 foi um ano e tanto para os filmes de terror. Segundo reportagem do New York Times, publicada em outubro do ano passado, foi o melhor ano na história do gênero, levando-se em conta a bilheteria e o montante arrecadado nos EUA. Dois fenômenos de público (e crítica, em geral) puxaram a fila: Corra, filme de Jordan Peele que trata de racismo e intolerância, e IT: A Coisa, adaptado da obra de Stephen King.

Apesar do orçamento apertado, o primeiro arrecadou impressionantes 175 milhões de dólares nos EUA, aparecendo, de acordo com a Box Office Mojo, como o 16º filme de maior bilheteria no país. Já IT acaba de entrar de vez para a história: alcançou a marca de 327 milhões de dólares, tornando-se o filme de terror de maior bilheteria de todos os tempos. Produzido pela Warner, o longa terminou o ano na sexta posição entre os filmes mais rentáveis do ano, batendo blockbusters como Meu Malvado Favorito 3, Logan e Thor.

+ Leia a crítica de IT: A Coisa

Somando a bilheteria de todos os lançamentos de terror de 2017, chegamos a um número espetacular: mais de 700 milhões de dólares no mercado doméstico americano, incluindo nessa lista outros títulos que também fizeram bonito, como Fragmentado, de M. Night Shyamalan (138 milhões de dólares), e Annabelle 2: A Criação do Mal (102 milhões).

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Elder e a metamorfose do rock

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O trio americano Elder: entre os melhores discos de 2017

Um dos álbuns de rock/metal mais originais e marcantes lançados neste ano, Reflections of a Floating World, do Elder, aponta para novos caminhos do gênero. O trio de Boston, que já havia despertado a atenção com o disco anterior, Lore (2015), mais uma vez surpreende ao experimentar novas fórmulas, mesmo quando mistura referências do passado, engrossando o caldo sonoro com rock progressivo, doom metal e muita densidade psicodélica. Nos faz voltar aos anos 1970, mas vai além disso.

+ O rock raiz do Greta Van Fleet

Quase todas as músicas de Reflections (são seis, no total) têm mais de 10 minutos. Isso quer dizer que não se preocupam em cumprir uma estrutura básica. É um voo livre, com letras enxutas — em geral, falam sobre um mundo decadente, de desilusão e falsidade –, riffs pesados, quebras de ritmo constantes e uma atmosfera mística, como se estivéssemos viajando por um mundo desconhecido. Sanctuary, a faixa de abertura, desenvolve-se como aventura épica, terminando com a mensagem: “We walk the land without a choice, screaming as though we have a voice” (em tradução livre, “caminhamos pela terra sem ter escolha, gritando como se tivéssemos uma voz”).

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O rock raiz do Greta Van Fleet

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Greta Van Fleet: rock raiz aos 20 e poucos anos

Quando vi o primeiro vídeo do Greta Van Fleet no YouTube, fiquei espantado (no bom sentido da palavra). Aquele vocalista com cara de moleque, de 20 e poucos anos, de chinelinho e roupa despojada, parecida com aquela calça surrada que usamos para ir dormir, de repente aparece e solta um “oooooohhhhhh” à la Robert Plant tão potente que chega a arrepiar a espinha. Aí ele solta um sorriso de canto de boca, como quem tem noção do que está causando, enquanto um riff de guitarra dá o tom da canção Highway Tune. Puta que o pariu, os moleques são bons mesmo!

+ Neve Negra é o novo livro de Santiago Nazarian

Não ouviu falar deles ainda? Pois garanto que você ouvirá bastante. Em 2012, três irmãos — Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra) e Sam Kiszka (baixo) — se juntaram na pequena cidade de Frankenmuth, no Michigan, de pouco mais de 5 mil habitantes, para formar o Greta Van Fleet, a banda de rock mais incensada do momento. Com o baterista Danny Wagner, o trio lançou neste mês o primeiro trabalho, From the Fires, depois de chamar a atenção em abril com o EP Black Smoke Rising.

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Irmãos Cavalera de volta com novo álbum. Ouça uma das músicas

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Cavalera Conspiracy: novo álbum e volta ao thrash

Daqui a três dias, em 17 de novembro, o Cavalera Conspiracy lança seu novo álbum, Psychosis. Pelo comichão da mídia especializada, espera-se coisa boa por aí. Duas canções, Insane e Spectral War, já estão circulando em alguns sites. A pegada nos faz lembrar o Sepultura em sua melhor fase. É um pouco do que o próprio Max afirma, em entrevista para o Metal Wani: “É o melhor álbum do Cavalera, meu favorito. Tem a mesma intensidade e energia de coisas antigas como Arise e Beneath the Remains, do Sepultura”.

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Nove músicas compõem o disco, cujas letras têm de tudo um pouco: falam sobre drones que comandam ataques em áreas de guerra, o estado de paranoia atual e a gestão desastrosa de Donald Trump nos Estados Unidos. Igor, que comanda o projeto ao lado do irmão Max, ambos fundadores do Sepultura, conta que extraiu de uma rica experiência em Uganda, na África, a pegada tribal em faixas como a instrumental Psychosis. Algo que ele já vem testando desde Roots, álbum do Sepultura que completou 20 anos.

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Psychosis: lançamento marcado para 17 de novembro

Em crítica para o Metal Sucks, Axl Rosenberg avaliou o novo trabalho com quatro de cinco estrelas possíveis. E cravou com uma provocação: “É o melhor álbum do Sepultura desde Chaos A.D”. Criado em 2007, em Phoenix (EUA), o Cavalera Conspiracy marca a reconciliação dos irmãos Max e Igor Cavalera, que tiveram alguns arranca-rabos nas épocas turbulentas da dissolução parcial do Sepultura. Lançado pela gravadora Napalm Records e produzido por Arthur Rizk, Psychosis é o quarto álbum da banda.

Confira abaixo a faixa de abertura, Insane:

Agenda: Anthrax a Accept no Free Pass Metal Festival

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Anthrax: gigantes do thrash metal

A melhor pedida desta semana para os headbangers que estão na capital paulista é, sem dúvida, o Free Pass Metal Festival, que reúne nesta quinta (dia 9) dois gigantes do metal na mesma noite: Anthrax e Accept. Ícone do thrash metal, ao lado de Metallica, Slayer e Megadeth, o Anthrax apresenta a turnê de seu álbum mais recente, o ótimo For All Kings, lançado em 2016. Eles fecham a noite no Tom Brasil. Antes, os alemães do Accept sobem ao palco apresentando a turnê The Rise of Chaos World Tour. Mais informações abaixo:

Line-up
20h30: King of Bones
21h20: Accept
23h: Anthrax

Data: quinta-feira (9 de Novembro de 2017)
Local: Tom Brasil 
Endereço: Rua Bragança Paulista, 1281,Chácara Santo Antônio, São Paulo (SP)
Classificação etária: 14 anos
Capacidade: 4000 pessoas
Ingressos: Ingresso Rápido