Fuja: bom thriller da Netflix para não tirar o olho da tela

Sarah Paulson e Kiera Allen em cena de Fuja, novo filme da Netflix

O filme Fuja, novidade na Netflix, é daqueles thrillers bons de assistir. Uma trama minimalista e bem construída, poucos personagens interpretados por bons atores e reviravoltas que nos deixam colados na tela.

No fim de 2020, Fuja estreou no streaming do Hulu e fez barulho por lá. Depois de ganhar força no boca-a-boca, a Netflix comprou os direitos e fez um lançamento global do longa estrelado pela excelente Sarah Paulson e a novata Kiera Allen.

Quase todo rodado dentro de uma casa, uma estratégia eficiente de controle dramático bastante usada no gênero do terror, o filme é construído em camadas de suspense com o poder de prender a atenção do espectador do começo ao fim. Mesmo, em alguns momentos, que a gente saiba o que pode acontecer, o desfecho arrebata.

Sarah Paulson, de American Horror Story e protagonista da série recente Ratched, interpreta Diane, uma mãe extremamente controladora que se dedica o tempo todo a cuidar de sua filha, Chloe, que usa cadeira de rodas, é diabética e tem asma. Ela define o que a filha deve estudar, o que come, os remédios que deve tomar — controla até as correspondências que chegam no seu nome. Tudo pelo bem de Chloe.

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No papel da filha adolescente está a ótima atriz Kiera Allen em sua primeira grande atuação. Ela estabelece com a mãe uma relação afetuosa e, às vezes, intempestiva. Seu sonho é ingressar na Universidade de Washington, como se, com isso, pudesse destravar uma porta para sua liberdade.

Mas claro que há alguma coisa errada nessa relação! O clima de suspense aumenta quando Chloe começa a estranhar alguns comportamentos da mãe e passa a realizar uma investigação por conta própria sobre a saúde e seu tratamento.

A partir daqui pode haver spoilers, mas prometo não contar muito mais da história!

Fuja me fez lembrar de Louca Obsessão (Misery), filme baseado na obra de Stephen King, com uma atuação fantástica de Kathy Bates, que também se apoia numa trama minimalista em locações reduzidas. O suspense é construído nos detalhes, no canto da imagem, na expressão dos personagens. Se formos mais longe na história, penso também em Janela Indiscreta, sobretudo em como a imobilidade do personagem é explorada como elemento de agonia para o espectador. A cena em que Chloe tenta escapar pela janela ou descer as escadas sem o auxílio do elevador são bons exemplos.

Como se explica o comportamento da mãe interpretada por Sarah Paulson em Fuja

Por trás da aparência dócil de Diane há, embora o filme não revele, um trauma psicológico que exige tratamento como qualquer outra doença.

É bem provável que a conduta abusiva de Diane seja explicada pela Síndrome de Munchausen por Procuração, que, de acordo um relato de caso publicado na BVS, é “um tipo de abuso infantil em que um dos pais, geralmente a mãe, simula sinais e sintomas na criança com a intenção de chamar atenção pra si. Como consequência, a vítima é submetida a repetidas internações e exposição a exames e tratamentos potencialmente perigosos e desnecessários”.

A mesma síndrome é tema da série The Act, que estreou em março de 2019 no serviço de streaming Hulu e é baseada na vida real de Gypsy Rose Blanchard. Ambas focam na conduta assustadora de mães ultracontroladoras.

No fim de Fuja, quando o jogo se inverte num desfecho um tanto forçado (talvez o único ponto fraco do filme), o diretor Aneesh Chaganty e o roteirista Sev Ohanian dão pistas de que Diane realmente precisava de um tratamento.

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