10 fatos que comprovam como estamos bem perto do apocalipse!

O livro-catástrofe de David Wallace-Wells

Ninguém dá bola para o aquecimento global. Talvez porque sentimos medo dele e não temos força para encará-lo de frente. Ou porque somos egoístas por natureza e nos preocupamos apenas em colocar um ar-condicionado no quintal e ignorar o clima lá fora. Provável que a gente não queira assumir a responsabilidade por acabar com o planeta e tornar cúmplice de tamanha desgraça. Pode ser também preguiça de compreender os estudos científicos complexos que mostram como emitimos mais da metade do carbono da atmosfera nas últimas três décadas.

Acontece que uma série de evidências, magistralmente narradas no livro A Terra Inabitável: Uma História do Futuro, do jornalista americano David Wallace-Wells, deixa claro que estamos caminhando a passos largos do fim. E, nesse caso, não é fantasia. Não vai sobrar zumbi para contar história.

A abrangência e a urgência do tema são tão assustadores que resolvi fazer este post, mesmo fugindo um pouco do assunto que costumamos tratar por aqui. A verdade é que não deixar de ser um terror o que veremos abaixo.

Listei, ainda de acordo com o vasto estudo feito por David em A Terra Inabitável, 10 fatos que comprovam que até 2100 vamos experimentar o gosto de uma tragédia de grandes proporções. E com seríssimas consequências, que afetam primeiro os países mais pobres, mas que não vão aliviar a confortável existência dos mais ricos.

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O lado humano de Inacreditável, série da Netflix sobre caso de estupro

Marie Adler (Kaitlyn Dever) em cena da série Inacreditável, da Netflix

Inacreditável é uma das melhores séries que eu vi neste ano, ao lado de Olhos que Condenam e Chernobyl. Já falei sobre as duas últimas aqui no blog.

Se você é fã de histórias de crime, do tipo True Detective e Mindhunter, já se joga no sofá hoje à noite e bota lá na Netflix.

São oito episódios que contam a história de uma garota que vive em um abrigo social para órfãos, em Lynnwood, no estado de Washington (EUA). Em 2008, ela revela a policiais locais que foi vítima de estupro. Diz que um homem de uns 30 e poucos anos invadiu sua casa à noite e a violentou por horas.

O caso é inspirado em uma reportagem real produzida pela ProPublica e The Marshall Project, duas agências de notícias independentes dos EUA. Uma denúncia grave sobre como um sistema judicial incompetente e maldoso pode arruinar a vida de pessoas.

+ Gostou de Inacreditável? Assista Olhos que Condenam

Pode ser que tenha um ou outro spoiler daqui para frente, mas vou tentar evitar contar demais.

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Korn e Slipknot: buscando forças no fundo do poço

Acho que a dor inspira mais um artista do que o prazer. Quando um compositor, escritor, pintor está mergulhado em angústia sai dele um trabalho mais expressivo do que alguém mergulhado no amor.

Foi do fundo do poço que os líderes do Korn e do Slipknot extraíram as músicas dos novos álbuns The Nothing e We Are Not Your Kind. São dois discos pesados, cantados com raiva e também com melancolia. Eles parecem dizer: como encontro forças no vazio que eu sinto para sobreviver e seguir adiante?

No caso de Jonathan Davis, o vocal do Korn, é um trabalho conceitual com referência clara e direta à morte de sua esposa, Deven, em agosto de 2018 em razão de uma overdose. Quase tudo gira em torno desse luto infernal e a luta pela superação.

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Meus 7 álbuns de rock e metal favoritos de 2019 – até agora

Esse negócio de lista dos melhores discos é uma brincadeira meio boba, mas não deixa de ser um bom filtro do volume insano de coisas lançadas a todo ano. A Loudwire já fez uma com os 20 melhores álbuns de metal do primeiro semestre de 2019, a Metal Injection também. Enfim, tem uma série de publicações soltando suas escolhas, com alguns denominadores comuns, como o metal épico do Sabaton, com The Great War, o rock que flerta com metal do Baroness, a viagem sonora e lisérgica do Devin Townsend com Empath. A minha é mais pessoal, nem acho que são os melhores, mas os que ouvi bastante e me impressionaram. Confira a seguir.

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Série Olhos que Condenam relata caso de estupro e aponta para brutal injustiça

Cena de Olhos que Condenam, série da Netflix baseada em caso real

Não conhecia a história dos cinco garotos negros que foram acusados de agredir e estuprar uma corredora branca no Central Park, em 1989. Em abril daquele ano, a jovem executiva de um banco, Trisha Meili, de 28 anos, saiu para um treino à noite e foi violentada. Ela foi levada ao hospital, onde ficou meses em coma.

Toda a suspeita recaiu sobre uma gangue que estava no parque, segundo algumas testemunhas, fazendo arruaça. Brigas e brincadeiras violentas eram comuns entre esses jovens. Cinco deles — Korey Wise, Raymond Santana, Kevin Richardson, Antron McCray e Yusef Salaam — prestaram depoimentos à polícia e, sob coação, confessaram o crime brutal. Acontece que a realidade não foi bem assim.

A série Olhos que Condenam, da Netflix, se debruça sobre o caso em um trabalho dramático e corajoso da diretora Ava DuVernay, que esteve à frente de produções como Selma e A 13ª Emenda, todas obras importantes no combate ao racismo nos EUA. São quatro episódios de uma minissérie que toca em feridas abertas, como o tratamento enviesado dado pela justiça americana aos negros.

+ Chernobyl: a ameaça é maior quando é real

É inacreditável como o caso é encaminhado mesmo sem haver provas físicas, testes de DNA ou qualquer outra comprovação de culpa. Ava DuVernay aponta o dedo para um grupo de promotores que age de forma irresponsável e leviana, para o dizer o mínimo.

Olhos que Condenam: caso de 1989 reabre discussão sobre racismo

Se olharmos para o Brasil imagino que encontraremos inúmeros casos semelhantes, de julgamentos realizados às pressas, com decisões tendenciosas carregadas de preconceito tanto dos juízes quanto dos acusadores. O que a série Olhos que Condenam mostra é muito sério!

Se você prefere assistir sem saber os detalhes do caso melhor parar por aqui, pode ser que tenha um ou outro spoiler daqui pra frente.

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Por que tantos livros têm “girl” no título? O suspense sob a ótica das mulheres

Faz tempo que tenho notado a grande quantidade de livros de suspense com a palavra “girl” no título. A começar pela série Millennium, do escritor sueco Stieg Larsson: The Girl With the Dragon Tattoo (2005), The Girl Who Played with Fire (2006) e The Girl Who Kicked the Hornets Nest (2007). Estou me baseando nos títulos em inglês, há algumas variações quando eles são adaptados para o português. O enorme sucesso conquistado por Larsson parece ter sido um abre-alas para uma avalanche de outras obras com “garotas” estampadas na capa.

Em junho de 2012, a escritora americana Gillian Flynn lançou seu terceiro livro, Gone Girl (Garota Exemplar, na tradução em português), e alcançou uma popularidade inesperada ao contar a história do desaparecimento de Amy no dia de seu aniversário de casamento. Vendeu naquele ano mais de 2 milhões de exemplares e liderou a lista de mais vendidos do New York Times. A trama virou um ótimo filme dirigido por David Fincher, com a atriz Rosamund Pike no papel principal, ao lado de Ben Affleck.

Gillian Flynn
A escritora americana Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar

Outro sucesso estrondoso veio em 2015 com o lançamento de The Girl on the Train (A Garota no Trem, em português), da inglesa Paula Hawkins. Aqui, temos o ponto de vista de Rachel Watson, uma jovem desiludida de 30 e poucos anos que adora tomar um porre e aproveita o caminho de trem que faz diariamente para observar a vida de um casal cuja relação é supostamente perfeita, até ela testemunhar algo estranho e se envolver em um thriller psicológico.

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Chernobyl: o terror é maior quando é real

Chernobyl
Chernobyl, da HBO, recria o maior desastre nuclear da história (Foto: Divulgação)

Chernobyl, a série da HBO que dramatiza um dos piores acidentes nucleares da história, ganhou força sem alarde, foi indo no boca a boca e se tornou o programa mais comentado depois do fim de Game of Thrones. No site IMDB, conquistou 9,6 pontos na opinião de mais de 230 mil usuários, o que a coloca como a série mais bem avaliada de todos os tempos.

São apenas cinco episódios de uma hora e pouco cada um. Por isso, em nenhum momento dá aquela sensação de que os produtores estão te enrolando, enchendo linguiça, desviando a sua atenção. Assisti como se fosse um filme longo. Não é suave de ver, pelo contrário, é dramática, aterrorizante e cruel. Mas muito bem-feita!

Apesar de contar a história do desastre nuclear ocorrido em 26 de abril de 1986 na antiga União Soviética (onde hoje é a Ucrânia), quando um reator explodiu e espalhou radiação por quilômetros, afetando a saúde de milhares de pessoas, Chernobyl é uma coprodução dos EUA e Inglaterra falada em inglês, com nomes conhecidos como Jared Harris e Emily Watson.

+ A febre dos true crime podcasts

O escritor Craig Mazin e o diretor Johan Renck (que dirigiu episódios de Breaking Bad e The Walking Dead) mergulharam em pesquisas sobre a tragédia, entrevistaram sobreviventes e, em alguns momentos, fantasiaram o enredo para além do que de fato aconteceu.

Conseguiram condensar a trama em torno de diferentes pontos de vista: de um cientista às voltas com questões éticas, de uma física corajosa, de uma mãe vítima da catástrofe, de burocratas do Comitê Central do Partido Comunista, de operários oprimidos a serviço de um Estado poderoso.

Chernobyl
Jared Harris interpreta o cientista Legasov em Chernobyl

O resultado é uma série impactante, ainda que pesada, e construída com muito cuidado — desde o visual de época esmaecido (os tons de verde pastel, o amarelado e o vermelho soviético), o clima tenso, as construções grandiosas que simbolizam o regime soviético e o roteiro que avança como um pesadelo. Em muitos momentos, o realismo transborda para a zona do terror. O efeito da radiação corroendo o corpo das vítimas, por exemplo, é digno dos filmes do canadense David Cronenberg.

Os limites do ser humano em uma situação de estresse e pressão

Mazin e Renck não têm pressa de contar a história, fornecem aos poucos informações para o público desvendar o motivo de tamanho desastre. Aos poucos, percebemos que nem tudo é tão simples como parece. Numa situação caótica, o limite do ser humano é testado constantemente: até que ponto somos solidários, até que ponto nos sacrificamos para ajudar o próximo, até onde vai a moral em um regime de exceção?

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Greta Van Fleet mostra paz, amor e um rockão da porra no Audio em SP

Greta Van Fleet
Greta Van Fleet no Lollapalooza no Chile 

Sei que muita gente torce o nariz para o Greta Van Fleet ao definir o som dos garotos de 20 e poucos anos como uma cópia descarada do Led Zeppelin. Convido essa turma para ver um show da banda, em vez de ficar atirando pedra sem conhecer direito o alvo.

Falo isso porque fui ver a apresentação que eles fizeram na última segunda (8), no Audio Club, em São Paulo, e cheguei à conclusão de que a acusação é injusta. Primeiro porque eles não têm a menor pretensão de ser o Led Zeppelin e, além disso, se formos usar esse critério de roubar-o-som-do-outro, não vai sobrar muita gente.

Fora essa polêmica tola, o importante é que o show dessa banda que veio da pequena cidade de Frankenmuth, no Michigan, tem uma vibe boa demais! Eles estão ali para se divertir e não parecem nem um pouco preocupados com rótulos. Brincam no palco, berram, fazem dancinhas estranhas, distribuem flores para a plateia.

+ O estranho rock do Leprous

É uma bobagem colocar o peso de que a salvação do rock está em bandas como o Greta. Como disse, eles não parecem preocupados com isso — nem acho que o rock precise de um salvador. Assim como o The Black Crowes ou o mais recente Rival Sons, o Greta Van Fleet simplesmente tem como influência grupos com uma pegada de blues-rock raiz. E nunca negaram isso!

Os três irmãos Josh, Jake e Samuel Kiszka (os dois primeiros são gêmeos) e o baterista Daniel Wagner chegaram a São Paulo como uma das atrações principais do Lollapalooza e arrastaram uma multidão de fãs ao festival. Eu fui conferir o show extra que eles fizeram no dia seguinte.

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