A beleza do metal nos discaços do Paradise Lost e Katatonia

Como estamos todos mais à flor da pele, um pouco de emoção e daquela tristeza pequena chamada melancolia servem para confortar a alma até dos metaleiros mais durões. Vou falar neste post dos discaços lançados neste segundo semestre de dois pioneiros do metal mais gótico, sombrio e sensível (ou doom metal, como queiram): Obsidian, do Paradise Lost, e City Burials, do Katatonia.

Meu Spotify só toca isso nas últimas semanas. Às vezes fico cansado da competição entre as bandas de metal de soarem cada vez mais pesadas, rápidas e extremas, perdendo o senso de composição, de melodia, emoção. A paulada só por paulada tende a pasteurizar o som. É justamente o contrário que Paradise Lost e Katatonia têm feito em seus últimos álbuns.

Com mais de 30 anos na estrada, os ingleses do Paradise Lost estão melhorando com o tempo. Não que o começo da trajetória dos caras não tenha sido fantástica. Álbuns como “Gothic” e “Draconian Times” moldaram o metal inglês dos anos 1990 e expandiram o horizonte do rock gótico. É que agora eles parecem ainda mais à vontade para experimentar novos sons e seguros do que estão fazendo. Basta lembrar de que, antes de “Obsidian”, eles lançaram os ótimos “Medusa” (2017) e “The Plague Within” (2015).

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Alcançaram o panteão do metal e continuam escalando. A voz de Nick Holmes em “Obsidian” modula entre o grave imponente, as frases mais limpas e o gutural, com um jeito de cantar que é só dele. Gregor Mackintosh dispara riffs de guitarra e lindos solos compondo frases melódicas, densas e arrastadas, mas também dançantes em alguns momentos. A batida de “Ghosts”, por exemplo, cairia bem numa pistinha underground, depois de uma faixa do Sisters of Mercy.

As canções em “Obsidian” não se repetem em suas estruturas, mas há uma estranha coesão entre elas. “Darker Thoughts” e “Fall from Grace” se encaixam perfeitamente na abertura do álbum, com potencial de se tornarem dois clássicos imediatos. Por outro lado, “Ending Days” e “Forsaken” carregam algo espiritual, com toques de violino, como se a gente estivesse perdido no purgatório.

Em entrevista para o site Headbangers News, Nick Holmes diz: “Eu me inspiro muito por coisas obscuras e sobre coisas que as pessoas não querem falar. Eu acho este lado triste das coisas fascinante”.

Katatonia: metal sueco que toca a alma

Ok, agora vamos falar do Katatonia, cujo lançamento “City Burials” concorre fortemente a disco de metal mais bonito de 2020. Assim como o Paradise Lost, o Katatonia bota emoção no metal. O grupo nasceu em 1991 na Suécia, projeto do vocalista Jonas Renkse e do guitarrista Anders Nyström, com uma pegada mais death metal. Nos primeiros trabalhos, a voz de Renkse era mascada, gritada e gutural. O estilo da banda se transformou no fim dos anos 1990 — em parte por causa de problemas na voz de Renkse.

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Elementos de rock progressivo, batidas eletrônicas e melodias mais intrincadas foram incorporados ao som. Nas letras, o mesmo lado obscuro, melancólico e reflexivo que a gente vê na maioria das bandas de doom metal.

O peso da música feita pelo Katatonia está menos na distorção da guitarra ou no pedal duplo da bateria e mais no canto etéreo de Renkse, que reverbera no âmago de quem ouve. Em “City Burials”, o grupo imprime uma atmosfera onírica ao som. “Lacquer” e “Lachesis” se apoiam em melodias de piano e batidas eletrônicas, enquanto “Behind the Blood” e “Rein” mostram o lado mais pesado do Katatonia.

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