10 filmes de arrepiar na 41ª Mostra

As boas maneiras
As Boas Maneiras, filme brasileiro premiado no Rio e em Locarno

Em uma seleção de mais de 400 filmes, a 41ª Mostra de Cinema de São Paulo, que ocorre na capital paulista de 19 de outubro a 1º de novembro, não lançou um olhar tão cuidadoso aos filmes de terror. Foi difícil escolher — como você pode ver abaixo — uma dezena de obras dedicadas ao gênero. Não vi todas, mas seguem minhas apostas.

Os horários e salas podem ser vistos no site da 41ª Mostra.

+ O sadismo de Aronofsky em Mother! 

1. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil)
Mais um tiro certo da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, de Trabalhar Cansa. Premiado no Festival de Locarno e no Festival do Rio, o filme narra em tom fantástico a relação entre Clara, uma solitária enfermeira que vive na periferia de São Paulo, e a rica e misteriosa Ana, que a contrata para ser babá de sua criança.

2. Corvos, de Jens Assur (Suécia)
Um fazendeiro está determinado a fazer seu filho assumir a propriedade e, assim, continuar o seu legado. A mãe faz de tudo para manter a família unida, enquanto, cada vez mais aterrorizado, o filho testemunha o comportamento psicótico do pai.

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Cena do filme sueco Corvos

3. Estrangulado, de Árpád Sopsits (Hungria)
Na Hungria socialista dos anos 1960, uma série de assassinatos ocorre na pequena cidade de Martfű. Enquanto um assassino continua à solta matando jovens mulheres, um homem é acusado e sentenciado injustamente por crimes que nunca poderia ter cometido.

4. Eutanásia, de Teemu Nikki (Finlândia)
Um mecânico de meia-idade tem como segundo emprego o sacrifício de animais domésticos. Ele é contratado por um homem para matar seu cão que, segundo ele, está doente.

5. Irmãos de Inverno, de Hlynur Pálmason (Dinamarca/Islândia)
O filme conta a história de dois irmãos durante um rigoroso inverno. Suas rotinas, seus hábitos, rituais e uma violenta disputa com outra família são vistos pelo olhar de Emil, o irmão mais novo.

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Cena da produção dinamarquesa Irmãos de Inverno

6. O Estrangulador, de Paul Vecchiali (França)
O diretor Paul Vecchiali é um dos homenageadas desta edição do festival. Neste filme, de 1970, ele aborda a vida de um serial killer fetichista que mata mulheres que aparentam estar infelizes. Com isso, ele acredita que realiza um ato de bondade.

7. O Vale das Sombras, de Jonas Matzow Gulbrandsen (Noruega)
Depois de ver três ovelhas mortas e devoradas pela metade em uma noite de lua cheia, o garoto Aslak, que vive em uma vila nas montanhas da Noruega, aventura-se por dentro desse ameaçador local.

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Vale das Sombras: nas montanhas da Noruega

8. Outrage Koda, de Takeshi Kitano (Japão)
Mestre dos filmes de yakuza, a máfia japonesa, Kitano mostra os conflitos entre duas famílias que lutam pelo poder. Esta é a terceira parte da trilogia composta de O Ultraje e Outrage: Beyond.

9. Scary Mother, de Ana Urushadze (Geórgia/Estônia)
Manana, uma dona de casa de 50 anos, se vê diante de um dilema. Ela precisa escolher entre a vida em família ou o seu amor pela escrita, atividade que reprime há anos. Manana decide seguir sua paixão, mergulhando em um sacrifício físico e mental.

10. Vigilia, de Julieta Ledesma (Argentina)
Santiago acorda no meio do deserto e vai até a casa do pai, que o recebe apontando uma arma. Ernesto decide sacrificar Arón, o cachorro, mas aparições fantasmagóricas abalam as bases da família.

13 fatos curiosos que explicam o temor pela Sexta-Feira 13

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Algumas curiosidades que ajudam a explicar a superstição de que hoje não é um bom dia para sair de casa.

  1. De acordo com os escritos bíblicos, a crucificação de Jesus Cristo, uma das passagens mais importantes aos cristãos, ocorreu em uma sexta-feira 13.
  2. O escritor inglês Geoffrey Chaucer, morto em 1400, já alertava em seus famosos Contos de Canterbury sobre os perigos de iniciar uma viagem ou projeto em uma sexta-feira. Segundo ele, trazia azar.
  3. Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, centenas de Cavaleiros do Templário, que faziam parte de uma sociedade medieval, foram capturados e queimados na França.
  4. Ao incluir esse episódio no livro O Código da Vinci, o escritor Dan Brown sugere que o temor pelo número 13 teria nascido dessa maneira.
  5. Na Última Ceia, Judas Iscariotes teria sentado no 13º lugar da mesa onde estava Jesus Cristo e seus outros discípulos. Isso teria associado um valor negativo ao número na cultura ocidental.
  6. A data também pode ter a ver com a criação do Clube dos Treze (The Thirteen Club). Em 1880, essa organização pretendia justamente desvalorizar essa crença acerca do número 13. Acreditava-se que quando 13 pessoas se sentavam em uma mesa, uma delas morreria em um ano.
  7. Em 1907, o empresário e autor americano Thomas W. Lawson (1857-1925), que era muito supersticioso, lançou o livro Friday the Thirteenth, o que teria reforçado essa crença.
  8. Na sexta-feira de 13 de setembro de 1940, o Buckingham Palace foi atingido por cinco bombas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.
  9. Alguns historiadores acreditam que foi nesse dia que Eva mordeu o fruto proibido.
  10. O filme Sexta-Feira 13, cuja primeira versão foi lançada em 1980, ajudou a popularizar o mito ao contar a história de um serial killer, Jason, que aterroriza um acampamento.
  11. O famoso desaparecimento de um avião chileno nos Andes, no qual os sobreviventes tiveram de comer carne humana para evitar a morte, aconteceu em 13 de outubro de 1972, uma sexta-feira.
  12. Em 1976, um homem estava tão amedrontado com a possibilidade de acontecer uma tragédia na data que permaneceu o dia todo em sua cama. Mesmo assim, ele morreu após o chão de seu apartamento ruir inesperadamente.
  13. Em 2010, um raio atingiu e matou um garoto inglês de 13 anos. Adivinha o horário? Às 13h13.

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Os poucos filmes de terror que ganharam o Oscar

Cena de "O Bebê de Rosamary", que rendeu a Roman Polanski o Oscar de roteiro
Cena de “O Bebê de Rosemary”, que rendeu a Polanski o Oscar de roteiro

Mais uma lista de indicados ao Oscar divulgada, mais uma lista sem filmes de terror. O desprezo pelo gênero, como já sabemos, é histórico, vem desde o início da premiação, em 1929. Fiz um apanhado entre os principais vencedores e indicados ao prêmio para ter uma noção de como esse tipo de produção é preterido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Ok, nem levo tão a sério assim a premiação, grandes filmes são esnobados ano a ano, mas é curioso perceber a presença minguada do gênero entre os selecionados. O registro a seguir começa em 1932, quando o ator Fredric March levou a estatueta por O Médico e o Monstro, de Rouben Mamoulian, e termina em 2015, último ano de que me lembrei de uma indicação importante a um filme de horror (para a atriz Rosamund Pike, em Garota Exemplar).

+ As máscaras que fizeram história no cinema de horror

Isso serve tanto para destacar ótimas produções esquecidas pelo tempo quanto para ressaltar o estranho mundo dos votantes do Oscar, que deixaram de fora da disputa filmes como O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, e diretores como John Carpenter e, pior ainda, Alfred Hitchcock, ambos ignorados pela Academia. Hitchcock chegou a ser indicado cinco vezes como diretor, mas não levou em nenhuma delas. Só recebeu um prêmio de consolação, o Irving G. Thalberg Memorial Award, em 1968.

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50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, para a Loudwire

 

O fim de ano se aproxima e as listas de melhores discos e filmes abundam em sites e revistas. A publicação americana Loudwire, especializada em hard rock e heavy metal, soltou uma seleção legal (com algumas polêmicas) dos 50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, com comentários justificando cada escolha.

Em geral, considero uma lista justa e abrangente das diferentes vertentes do gênero, do power ao black metal. Há, no entanto, apostas pouco óbvias, como meter o Korn (por ser um dos criadores do nu metal) e o metal progressivo do Dream Theater entre Black Sabbath, Metallica e Iron Maiden. Num honroso 21º lugar aparecem os brasucas do Sepultura com Beneath the Remains, de 1989.

+ At the Gates em São Paulo: saiba como foi o show

Talvez a posição mais inusitada seja a 11ª colocação para os armênios radicados nos Estados Unidos do System of a Down, devido ao sucesso espetacular e a inovação de Toxicity. Pessoalmente gosto dessa aposta; colocaria, no entanto, mais para o meio da lista. Senti falta, por outro lado, de bandas como Carcass (Heartwork estaria na minha lista), Lamb of God (As the Palaces Burn, a meu ver, merecia ser lembrado) e AC/DC (tudo bem, eles estão na fronteira entre o rock e o metal, mas valeria a menção).

Confira a lista completa abaixo:

1. Black Sabbath, Paranoid
2. Metallica, Master of Puppets
3. Iron Maiden, The Number of the Beast
4. Slayer, Reign in Blood
5. Pantera, Vulgar Display of Power
6. Ozzy Osbourne, Blizzard of Ozz
7. Judas Priest, Screaming for Vengeance
8. Metallica, Ride the Lightning
9. Megadeth, Peace Sells… But Who’s Buying?
10. Black Sabbath, Master of Reality

'Master of Puppets', do Metallica, sempre no topo de qualquer lista
‘Master of Puppets’, do Metallica, sempre no topo de qualquer lista

11. System of a Down, Toxicity
12. Motorhead, Ace of Spades
13. Tool, Lateralus
14. Venom, Welcome to Hell
15. Opeth, Blackwater Park
16. Black Sabbath, Black Sabbath
17. Dio, Holy Diver
18. Judas Priest, Sad Wings of Destiny
19. Mastodon, Leviathan
20. Rainbow, Rising

'Black Sabbath', do Black Sabbath: o pai de todos
‘Black Sabbath’, do Black Sabbath: o pai de todos

21. Sepultura, Beneath the Remains
22. Slayer, Seasons in the Abyss
23. Black Sabbath, Heaven and Hell
24. Queensryche, Operation: Mindcrime
25. Dream Theater, Images and Words
26. Exodus, Bonded by Blood
27. Entombed, Wolverine Blues
28. Celtic Frost, To Mega Therion
29. Anthrax, Among the Living
30. At the Gates, Slaughter of the Soul

'Beneath the Remains', do Sepultura: único representante brasileiro da lista
‘Beneath the Remains’, do Sepultura: único representante brasileiro

31. Judas Priest, British Steel
32. Metallica, Kill ‘Em All
33. Megadeth, Rust in Peace
34. Death, Human
35. Iron Maiden, Powerslave
36. Metallica, The Black Album
37. Emperor, Anthems to the Welkin at Dusk
38. Mercyful Fate, Don’t Break the Oath
39. Korn, Korn
40. Bathory, Bathory

'Powerslave', do Iron Maiden: clássico britânico
‘Powerslave’, do Iron Maiden: clássico britânico

41. King Diamond, Abigail
42. Neurosis, Times of Grace
43. Helloween, Keeper of the Seven Keys, Part I
44. Morbid Angel, Altars of Madness
45. Iron Maiden, Iron Maiden
46. Darkthrone, A Blaze in the Northern Sky
47. Cannibal Corpse, Tomb of the Mutilated
48. Slipknot, Slipknot
49. Mayhem, De Mysteriis Dom Sathanas
50. Accept, Balls to the Wall

Capas de disco: artistas que buscam inspiração visual nas trevas

Os ábuns de heavy metal têm nas capas uma atração à parte. É dos poucos gêneros musicais que se preocupam com o que será estampado na cara do CD, LP, DVD etc.  No lugar do retrato óbvio dos integrantes da banda, muitas vezes em poses constrangedoras, opta-se por usar a ilustração de um artista. A imagem reproduz o clima do disco, bota o mascote do grupo em ação ou conta uma história. Três caras tornaram-se célebres por esse trabalho, saiba mais abaixo.

Desenho do artista Vince Locke para capa do disco "Torture", do Cannibal Corpse
Desenho de Vince Locke para o disco “Torture”, do Cannibal Corpse

Vince Locke

Sua HQ “A History of Violence”, feita com o escritor John Wagner, inspirou o ótimo filme “Marcas da Violência” (2005), do canadense David Cronenberg. Locke é mais escatológico nos traços, adora explorar as tripas para gerar efeito visual e mostrar humanos em decomposição. Fez com o grupo de death metal Cannibal Corpse uma parceria seminal, que ajudou a criar a identidade visual do gênero. As capas de “Butchered at Birth”, “Tomb of the Mutilated” e “The Wretched Spawn”, entre outras, são de Locke.

 

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H.R. Giger

O lendário alien de Ridley Scott foi desenhado por Giger, que recebeu um Oscar de efeitos visuais em 1980 pelo trabalho. O artista suíço combina seres sobrenaturais com um toque futurista, dando às obras tons mais escuros. É de sua autoria a capa de “Heartwork”, da banda inglesa Carcass, “To Mega Therion”, do Celtic Frost, e, indo mais para o rock progressivo, a de “Brain Salad Surgery”, do Emerson Lake and Palmer.

 

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Ed Repka

O artista americano foi um dos primeiros a criar desenhos apocalípticos para ilustrar capas de discos. Seu trabalho com o Megadeth –ele inclusive ajudou a desenhar o mascote da banda– é marcante. Cores vibrantes retratam criaturas esqueléticas e zumbis no comando de um mundo destroçado, como se tudo se passasse após um desastre nuclear. Os traços de Repka são aterrorizantes e divertidos ao mesmo tempo, semelhantes ao que se vê nas HQs. Ele já foi requisitado por bandas como Nuclear Assault, Napalm e Death.

 

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Quando o trailer é tão bom ou melhor que o filme

A revista americana “Wired” fez uma interessante reportagem sobre a evolução dos trailers no cinema, desde os anos 1940 até os dias de hoje. Mostra como esse recurso usado para atrair a atenção do espectador pode salvar um filme ou derrubá-lo antes de ser lançado.

Nos anos 1950, tudo era hiperbólico. Títulos carregados (quase sempre amarelos) preenchiam toda a tela com nomes de atores e inovações técnicas. Na década seguinte, os diretores ganharam mais destaque: Hitchcock, por exemplo, adorava aparecer na tela dando explicações engraçadinhas de suas próprias tramas. Assim como Woody Allen.

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A edição ficou mais ligeira. Na contagem da “Wired”, o trailer de “Dr. Strangelove”, de Kubrick, tem 220 cortes em 97 segundos.

Aí vieram os filmes apocalípticos e, com eles, o nosso querido Don LaFontaine (uma espécie de Lombardi dos teasers), o cara que narrou mais de 5.000 trailers nos EUA e tornou-se célebre ao usar clichês como “in a world”, “there is no rule” ou “at a time” para enfatizar tempos futuros e planetas desconhecidos.

Abaixo três trailers que merecem o seu clique:

Psicose (1960), de Alfred Hitchcock

Alien (1979), de Ridley Scott

O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick

As máscaras assustadoras que fizeram história no cinema de terror

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Michael Myers em Halloween (1978)

A meu ver, Michael Myers é o serial killer mais aterrorizante do cinema. Não brinca em serviço como Jason e não é fanfarrão como Freddy Krueger. Anda, não corre. Aparece pouco para manter o suspense, como deve ser. O vilão de “Halloween” mata a irmã, aos seis anos, depois que ela faz sexo com o namorado. Quinze anos depois, ele foge do manicômio num carro da enfermeira para botar o terror em Haddonfield, Illinois. A máscara branca, de olhos que parecem derretidos e cabelo arrepiado foi comprada pelo diretor de arte do filme, Tommy Wallace, por US$ 1,98. E tinha a cara do Captain Kirk, de “Star Trek”, modelada.

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Jason Voorhees em Sexta-Feira 13 (1980)

A máscara mais famosa do cinema, que se consolidou como uma marca registrada do terror e rendeu fartas cifras aos criadores, nada mais é do que uma máscara de um goleiro do time de hóquei americano Detroit Red Wings. O supervisor de efeitos especiais Martin Jay foi o dono da ideia. Com um produto químico ela foi esticada e triângulos vermelhos foram desenhados. Jason Voorhees se tornou o psicopata mais copiado do cinema ao dilacerar adolescentes em acampamentos de verão.

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Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica (1974)

A história, inspirada num caso real que chocou o Texas, é de um grupo de viajantes que se torna vítima do canibal  Leatherface (interpretado por Gunnar Hansen). Sua máscara é feita com a pele de suas vítimas costuradas com tripas. É um assassino brutal, que usa a motosserra para esquartejar quem estiver pela frente. Menção especial ao diretor Tobe Hooper, que dedicou quase toda a carreira aos filmes de terror, entre eles “Poltergeist” (1982).

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Asa em A Máscara do Demônio (1960)

Mario Bava foi um dos precursores do cinema de horror barroco italiano. “A Máscara do Demônio” é seu primeiro longa-metragem. O roteiro, baseado no conto “Viy”, do escritor russo Nikolai Gogol, conta a história da princesa Asa e de seu irmão Igor Javutich, condenados a morrer na fogueira por práticas de satanismo. Antes de serem queimados, ambos têm duas máscaras cheias de espinhos pregadas no rosto. O rosto machucado de espinhos da atriz inglesa Barbara Steele é um clássico trash.

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As crianças deformadas em The Brood (1979)

Não dá para deixar de fora dessa lista o canadense David Cronenberg, que no início da carreira abusava dos rostos e corpos deformados. Hoje em dia ele anda mais blasé, apesar de continuar com um cinema potente. Apesar de não ser o filme mais conhecido do diretor, está entre os mais arrepiantes da sua carreira. Não viu? É a história de uma mulher levada pelo marido a um psiquiatra com métodos exóticos de tratamento da raiva. Vale o posto aqui por causa das crianças mutantes que nascem de seus experimentos: a testa protuberante, o loiro escorrido dos cabelos e os olhos fundos.

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Lesnie Verno em The Rise of Lesnie Vernon (2006)

Para pegar um exemplo mais recente, esta ficção rodada num estilo documental mostra como um matador em série se prepara para seus atos, como se comporta. O diretor Scott Glosserman tenta desconstruir a figura de um “slasher”, mostrando sem afetação a sua rotina. Ele está meio deprimido na cena acima.

5 cenas antológicas do terror

NOSFERATU (1922), de F. W. Murnau

Este clássico de Murnau tem o poder de reproduzir o clima assustador e decadente do período entreguerras (um representante do expressionismo alemão) e será sempre lembrado como o primeiro grande filme de vampiro. Apesar de não ser uma adaptação legítima, a história é toda baseada no “Drácula”, de Bram Stocker. Murnau roubou a história na cara dura, depois teve problemas na justiça. Aqui, a criatura interpretada por Max Schreck é um doente grotesco, careca, com orelhas de morcego e dentes de coelho. Longe de ser uma figura sedutora e atraente. Nesta cena, sua famosa sombra aparece invadindo o quarto da mulher de Hutter, enviado a Transilvânia para vender uma propriedade ao conde Orlok.

 

O EXORCISTA (1973), de William Friedkin

Tudo o que veio depois de 1973 sobre garotas indefesas possuídas pelo demônio é cópia deste clássico de Friedkin, em que a atriz Linda Blair blasfema, vomita um jato verde, masturba-se com um crucifixo, levita e desce a escada como uma aranha alucinada. A história foi inspirada num caso real de exorcismo nos EUA em 1949. Até o cartaz é um primor, com um jogo sinistro de claro e escuro cujo propósito é anunciar que algo terrível está para acontecer. Entre tantas cenas antológicas escolhi a que Blair gira o pescoço em 360º.

 

SUSPIRIA (1977), de Dario Argento

Depois de Mario Bava, o italiano Dario Argento é sem dúvida o nome mais importante do horror naquele país. Faz um cinema estilizado, extravagante e explora o caráter sobrenatural dos sonhos. Merece o título de um dos pais do cinema giallo (tramas associadas a uma série de assassinatos). “Suspiria” é seu filme mais famoso. Dá para experimentar o universo do cineasta na cena abaixo. Atenção para os gestos coreografados e para a insana música da banda de rock progressivo Goblin (gritos, sintetizadores, sussurros…)

 

SCANNERS (1981), de David Cronenberg

O mais legal de ver os filmes do canadense Cronenberg é perceber a sua obsessão pela mutação do corpo humano, como um membro pode virar uma máquina e como a mente tem o poder de degenerar as pessoas. É um dos cineastas mais sofisticados do horror. Transforma a psicologia em imagens como poucos. “Scanners” não é o seu melhor filme, mas a cena em que o telecinético Revok causa a explosão de uma cabeça num auditório é fenomenal.

 

O SILÊNCIO DOS INOCENTES (1991), de Jonathan Demme

Tem o mérito inquestionável de ser o único filme de terror a ganhar o Oscar de melhor filme. Pensando nos velhinhos conservadores que formam a Academia, é de tirar o chapéu. Aqui, Jodie Foster faz uma agente que precisa da ajuda de um psiquiatra canibal (Hopkins) para entender a mente de um assassino. Demme trabalhou com Roger Corman (o mestre do filme B) no começo da carreira. Na cena a seguir, Dr. Lecter morde um policial na cela, lambuza a boca de sangue e escapa da prisão.