Metal brasuca no Sesc Belenzinho

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Lacerated and Carbonized no Sesc Belenzinho (Divulgação)

Já faz um tempo que me chama a atenção a programação dedicada ao heavy metal nacional do Sesc Belenzinho, na zona leste de São Paulo. Não é algo comum de se ver . O Sesc, em geral, prefere dar espaço à MPB, ao samba, às vezes a uma banda indie brasileira, mas o metal, como acontece no resto do mercado, é ignorado. Resolvi ir mais a fundo e descobrir quem estava por trás dessa elogiável iniciativa.

O projeto, criado em 2014 pelo Núcleo de Música e Artes Cênicas do Sesc Belenzinho, se chama Música Extrema e já pôs no palco da unidade localizada no bairro de Belém mais de 100 bandas de metal, punk e hardcore nacional, como Ratos do Porão, Genocídio, Angra, Krisiun, Holocausto e Pupilas Dilatadas, entre outras. Conversei com o Sandro Eduardo, um dos curadores do programa, que explicou por que ele nasceu: “O projeto nasce da necessidade da democratização da circulação de projetos artísticos na cidade”.

+ Ghost bota os headbangers para dançar

Apesar de eventualmente circular pelos palcos do Sesc alguns grupos de punk e rock, o Música Extrema tem foco exclusivo no heavy metal nacional. Oferece um espaço com ótima estrutura e preços acessíveis a bandas que ralam para pagar as contas e sobreviver na indústria da música. Isso é muito legal!

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Ghost bota os headbangers para dançar com Prequelle

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Ghost: novo álbum e nova identidade

O novo álbum do Ghost, Prequelle, está menos litúrgico e mais pop. Isso pode ser bom ou ruim, depende da perspectiva de cada fã. Continua teatral, como os discos anteriores, embora seja mais dançante. Pode ser considerado um passo adiante na carreira da banda sueca ou um passo para trás. Uma coisa, no entanto, é certa: o Ghost deixou as trevas de lado — ou pelo menos amenizou o tom — e parece trilhar sem medo o caminho do estrelato.

Tobias Forge (agora já sabemos a identidade de quem se escondia por trás de personagens como Papa Emeritus I, II e III) e sua trupe estão rumo a se tornar uma grande banda de arena, daquelas que tocam em rádio e se apresentam em estádios. A receita foi feita sob medida. Prequelle soa mais como uma mistura de Kiss, Mercyful Fate e Marilyn Manson, e menos como bandas obscuras de black metal. É rock mascarado para ser consumido pela massa, muito bem embalado pela indústria pop.

+ Ghost: entre o papa e o Mr. M

E não há nenhum mal nisso. Vamos lembrar do seguinte: nos anos 1970 e 80, Los Angeles virou o reduto de grupos de glam metal, como Mötley Crüe, Ratt e Twisted Sister, que se enfeitavam com maquiagens, roupas brilhantes, adereços chamativos e botas gigantes para cantar sobre farras com mulheres, drogas e palavras de ordem contra o status quo, aproveitando o lado mais selvagem e purpurinado de Hollywood.

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Prequelle: mais pop e menos litúrgico

O próprio Forge não esconde a inspiração que vem dos anos 1980. Sem dúvida, Prequelle  soa como metal old school, de voz limpa, baixo marcante, elementos eletrônicos e refrões pegajosos. É para ouvir e sair cantando. Rats, por exemplo, música que fala sobre a Peste Negra ao mesmo tempo em que associa o bicho asqueroso a políticos corruptos, poderia muito bem tocar no horário nobre da MTV.

Há também baladas (See the Light e Life Eternal) e rock de pista, como Dance Macabre, uma irresistível canção que vai fazer até o headbanger mais mal-encarado dar uma requebrada na rodinha. O tom solene e mais vagaroso, que lembrava a celebração de uma missa, deu lugar a uma festa animada do demo.

+ O Mastodon é tudo isso mesmo?

Forge é um artista inteligente. Desde jovem — influenciado por sua mãe, uma galerista que levava o filho para apreciar obras sacras nas igrejas católicas da Suécia, e por seu irmão, que lhe apresentou ao rock e ao metal –, ele demonstrou interesse por filmes de terror e bandas de doom metal, como Saint Vitus e Candlemass.

Percebeu como podia explorar esse universo dark e incorporar elementos misteriosos em torno de sua própria banda, flertando sempre com a fama. Assim, manteve sua identidade sob sigilo durante anos e incorporou personagens macabros para atrair a curiosidade de fãs que começavam a se multiplicar pelo mundo. Forge continua vestindo-se como um papa das trevas (agora apresenta-se como o Cardinal Copia) e encenando o fim dos tempos cheio de pompa.

É divertido, estranho e meio cafona ao mesmo tempo!

Mais uma obra-conceito do BTBAM

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Cada álbum lançado pelo Between the Buried and Me é uma poção mágica difícil de decifrar, mas que, depois de um tempo ouvindo com atenção, mostra seu encanto. O mistério não está somente no som intricado, com diferentes camadas de rock progressivo, death metal, jazz, mas também nas letras profundas. Trabalho que sucede o álbum Coma Ecliptic, de 2015, Automata I é a primeira parte de uma obra dupla, cujo segundo ato está programado para vir a público em julho deste ano. Um disco conceito que narra um universo à la Truman Show, no qual uma vítima tem sua história e seus sonhos roubados por uma indústria do entretenimento. A guerra ética entre privacidade e audiência se instala.

Nascida em 2000, a banda da Carolina do Norte (EUA) tornou-se um nome fora da curva no cenário do metal. Nem sei bem se dá para dizer que estamos falando de uma banda de metal. Quando ouço o som dos caras, penso na estrutura quebrada do Dream Theater e da fase mais recente do Opeth, embora o vocal de Tommy Giles Rogers Jr., em certos momentos, mostre inspirações do death metal de grupos como At The Gates (que, aliás, também acaba de lançar novo trabalho). Em outros trechos, a segunda voz limpa do guitarrista Paul Waggoner soa como Pink Floyd, aproximando-se do rock progressivo.

+ Elder e a metamorfose do rock

Automata I é um grande álbum, pesado e melódico ao mesmo tempo. Mas, como disse, é preciso tempo e dedicação para ouvir e reouvir as seis faixas. Condemned to the Gallows, a música que abre o disco, é lenta, depois rápida, depois suja, depois limpa… Como a letra indica, estamos, afinal, no meio de um sonho, em um ambiente lunático, psicodélico, dominado pela tecnologia e por ruídos sonoros de sintetizadores. Millions pode ser encarada como uma boa música de divulgação do álbum, com estrutura menos complexa e um refrão que fica na cabeça.

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O Mastodon é tudo isso mesmo?

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Mastodon: uma surpresa a cada disco

A banda americana Mastodon acaba de ganhar mais um prêmio para incluir em sua coleção, o Grammy de melhor performance de metal pela música Sultan’s Curse, do álbum Emperor of Sand. Foi a quarta indicação do grupo nessa categoria. Há uma reverência galopante entre críticos de música, fãs e jornalistas que sugere a seguinte pergunta: será o Mastodon o principal nome do metal de sua geração?

Fundado entre 1999 e 2000, em Atlanta (EUA), o grupo composto pelos guitarristas  Brent Hinds e Bill Kelliher, o baixista Troy Sanders e o baterista Brann Dailor, que faz uma inovadora mistura de rock progressivo e metal, lançou o primeiro álbum, Remission, em 2002, pela gravadora Relapse Records. O reconhecimento, no entanto, veio com o disco seguinte, Leviathan (2004), o álbum conceito que se inspira nas aventuras narradas pelo escritor Herman Melville na clássica obra do século 19 Moby Dick.

+ A banda Elder e a metamorfose do rock

Esse importante marco na carreira do grupo catapultou-os à posição de principal nome do heavy metal surgido após o ano 2000, conquistando o apreço de várias publicações dedicadas ao gênero. Com sua combinação de brutalidade, letras cantadas por todos os integrantes da banda e arranjos criativos e complexos, Leviathan foi eleito o álbum do ano pelas revistas Kerrang e Terrorizer. Para a Rolling Stone, está entre os melhores álbuns de metal de todos os tempos.

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Elder e a metamorfose do rock

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O trio americano Elder: entre os melhores discos de 2017

Um dos álbuns de rock/metal mais originais e marcantes lançados neste ano, Reflections of a Floating World, do Elder, aponta para novos caminhos do gênero. O trio de Boston, que já havia despertado a atenção com o disco anterior, Lore (2015), mais uma vez surpreende ao experimentar novas fórmulas, mesmo quando mistura referências do passado, engrossando o caldo sonoro com rock progressivo, doom metal e muita densidade psicodélica. Nos faz voltar aos anos 1970, mas vai além disso.

+ O rock raiz do Greta Van Fleet

Quase todas as músicas de Reflections (são seis, no total) têm mais de 10 minutos. Isso quer dizer que não se preocupam em cumprir uma estrutura básica. É um voo livre, com letras enxutas — em geral, falam sobre um mundo decadente, de desilusão e falsidade –, riffs pesados, quebras de ritmo constantes e uma atmosfera mística, como se estivéssemos viajando por um mundo desconhecido. Sanctuary, a faixa de abertura, desenvolve-se como aventura épica, terminando com a mensagem: “We walk the land without a choice, screaming as though we have a voice” (em tradução livre, “caminhamos pela terra sem ter escolha, gritando como se tivéssemos uma voz”).

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O rock raiz do Greta Van Fleet

Greta Van Fleet - 2017
Greta Van Fleet: rock raiz aos 20 e poucos anos

Quando vi o primeiro vídeo do Greta Van Fleet no YouTube, fiquei espantado (no bom sentido da palavra). Aquele vocalista com cara de moleque, de 20 e poucos anos, de chinelinho e roupa despojada, parecida com aquela calça surrada que usamos para ir dormir, de repente aparece e solta um “oooooohhhhhh” à la Robert Plant tão potente que chega a arrepiar a espinha. Aí ele solta um sorriso de canto de boca, como quem tem noção do que está causando, enquanto um riff de guitarra dá o tom da canção Highway Tune. Puta que o pariu, os moleques são bons mesmo!

+ Neve Negra é o novo livro de Santiago Nazarian

Não ouviu falar deles ainda? Pois garanto que você ouvirá bastante. Em 2012, três irmãos — Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra) e Sam Kiszka (baixo) — se juntaram na pequena cidade de Frankenmuth, no Michigan, de pouco mais de 5 mil habitantes, para formar o Greta Van Fleet, a banda de rock mais incensada do momento. Com o baterista Danny Wagner, o trio lançou neste mês o primeiro trabalho, From the Fires, depois de chamar a atenção em abril com o EP Black Smoke Rising.

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Irmãos Cavalera de volta com novo álbum. Ouça uma das músicas

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Cavalera Conspiracy: novo álbum e volta ao thrash

Daqui a três dias, em 17 de novembro, o Cavalera Conspiracy lança seu novo álbum, Psychosis. Pelo comichão da mídia especializada, espera-se coisa boa por aí. Duas canções, Insane e Spectral War, já estão circulando em alguns sites. A pegada nos faz lembrar o Sepultura em sua melhor fase. É um pouco do que o próprio Max afirma, em entrevista para o Metal Wani: “É o melhor álbum do Cavalera, meu favorito. Tem a mesma intensidade e energia de coisas antigas como Arise e Beneath the Remains, do Sepultura”.

+ Lacerated and Carbonized mostra RJ em convulsão

Nove músicas compõem o disco, cujas letras têm de tudo um pouco: falam sobre drones que comandam ataques em áreas de guerra, o estado de paranoia atual e a gestão desastrosa de Donald Trump nos Estados Unidos. Igor, que comanda o projeto ao lado do irmão Max, ambos fundadores do Sepultura, conta que extraiu de uma rica experiência em Uganda, na África, a pegada tribal em faixas como a instrumental Psychosis. Algo que ele já vem testando desde Roots, álbum do Sepultura que completou 20 anos.

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Psychosis: lançamento marcado para 17 de novembro

Em crítica para o Metal Sucks, Axl Rosenberg avaliou o novo trabalho com quatro de cinco estrelas possíveis. E cravou com uma provocação: “É o melhor álbum do Sepultura desde Chaos A.D”. Criado em 2007, em Phoenix (EUA), o Cavalera Conspiracy marca a reconciliação dos irmãos Max e Igor Cavalera, que tiveram alguns arranca-rabos nas épocas turbulentas da dissolução parcial do Sepultura. Lançado pela gravadora Napalm Records e produzido por Arthur Rizk, Psychosis é o quarto álbum da banda.

Confira abaixo a faixa de abertura, Insane:

Agenda: Anthrax a Accept no Free Pass Metal Festival

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Anthrax: gigantes do thrash metal

A melhor pedida desta semana para os headbangers que estão na capital paulista é, sem dúvida, o Free Pass Metal Festival, que reúne nesta quinta (dia 9) dois gigantes do metal na mesma noite: Anthrax e Accept. Ícone do thrash metal, ao lado de Metallica, Slayer e Megadeth, o Anthrax apresenta a turnê de seu álbum mais recente, o ótimo For All Kings, lançado em 2016. Eles fecham a noite no Tom Brasil. Antes, os alemães do Accept sobem ao palco apresentando a turnê The Rise of Chaos World Tour. Mais informações abaixo:

Line-up
20h30: King of Bones
21h20: Accept
23h: Anthrax

Data: quinta-feira (9 de Novembro de 2017)
Local: Tom Brasil 
Endereço: Rua Bragança Paulista, 1281,Chácara Santo Antônio, São Paulo (SP)
Classificação etária: 14 anos
Capacidade: 4000 pessoas
Ingressos: Ingresso Rápido