Ludovic se atira como antes no meio de uma plateia alucinada

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Ludovic em show no Centro Cultural São Paulo (Foto: Fernanda Foloni)

Lembro de ter visto o Ludovic pela primeira vez no meio dos anos 2000 num dos inferninhos da Rua Augusta, em São Paulo. Pode ter sido no Outs, não tenho certeza. Eu tinha 20 e poucos anos, e eles também. Ou seja, as mesmas preocupações de adolescentes prestes a entrar no complexo mundo dos adultos.

Uma pulsante cena independente de rock se formava por ali, com bandas legais como La Carne, Forte Apache, Ästerdon e Fud tocando num circuito de clubes decrépitos e festas underground. Todos, assim como o Ludovic, buscando seu espaço nas beiradas do mainstream.

+ FingerFingerrr: a nova cara do (garage) rock nacional

O Ludovic tinha um dos shows mais insanos da capital paulista. Altamente explosivo, o vocalista Jair Naves soltava suas letras melancólicas, melodramáticas e destrutivas ao mesmo tempo em que se metia no meio da galera, abria o palco para quem quisesse cantar junto e, com frequência, se machucava ao se jogar pra todo lado, derrubando equipamentos e quebrando instrumentos. Não era uma simples performance ensaiada. Havia verdade ali, e muitos fãs percebiam isso.

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FingerFingerrr: a nova cara do (garage) rock nacional

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Flavio Juliano e Ricardo Ceifas da dupla FingerFingerrr

Antes de se apresentarem no último sábado (dia 15), no Breve, em São Paulo, os caras do FingerFingerrr estavam sossegados na porta da entrada, tomando uma breja assim como as poucas pessoas que chegavam por ali em pleno feriadão de Páscoa. No mês anterior, haviam tocado em um dos festivais mais legais do mundo, o SXSW (South by Southwest), em Austin, Texas (EUA). Alguns amigos (que não estavam no show, claro) falavam deste duo paulistano de punk/rock/rap como expoente da nova cena do rock nacional. Fui lá conferir e gostei!

O fato de ter não mais do que 50 espectadores à frente do palco traz uma intimidade como se a banda estivesse tocando na sua sala. Não sei se foi culpa do feriado, acho que sim. Quando perguntei para o Flavio Juliano, o frontman, baixista e guitarrista do FingerFingerrr, sobre o público reduzido, ele foi bem honesto: “Eu esperava menos! Dá pra sentir o clima de um show durante o Dia D, se a galera está mobilizando ou não… e o feriado de Páscoa estava zoando o clima geral. Fiquei feliz que foi uma galera”.

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FingerFingerrr toca no Breve, em São Paulo (Foto: Fernanda Foloni)

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O Flavio é uma figura! De paletó branco, calça branca e bota branca, não sabemos se estamos diante de um rapper, do terceiro elemento do White Stripes ou do Roberto Carlos. Aí vem uma paulada punk, rápida e brutal: “Eu Só Ganho”, a música que abre e fecha o show. Caralho, os caras têm pegada! Imaginar que o som barulhento do FingerFingerrr é feito por apenas duas pessoas — em muitas faixas com apenas um baixo distorcido e uma bateria — é surreal.

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Lamb of God toca no Brasil em junho após cinco anos

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A Liberation acaba de anunciar mais uma importante atração de seu festival que comemora os 25 anos da produtora: Lamb of God toca no dia 25 de junho em São Paulo, no evento que rola no Espaço das Américas e já tem como headliner o lendário King Diamond, além de bandas de peso como Carcass e Heaven Shall Burn. O Lamb of God retorna à capital paulista depois de cinco anos.

Um dos principais representantes da New Wave Of American Heavy Metal, a banda americana de Richmond, Virginia, foi formada com esse nome em 1999 (antes, apresentava-se como Burn the Priest). Hoje, tem como integrantes Randy Blythe (vocal), Mark Morton (guitarra), Willie Adler (guitarra), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria).

No repertório, devem tocar músicas como “Laid to Rest”, “Ruin”, “Redneck”, “Walk with Me in Hell”, “Black Label” e “Set to Fail”, entre outras. Um dos álbuns mais celebrados do grupo, As The Palaces Burn, foi lançado em maio de 2003 e vendeu mais de 200 mil cópias só nos Estados Unidos. O disco seguinte, Ashes of the Wake, primeiro lançamento em parceria com a Epic Records, consolidou de vez a banda como um expoente do novo metal. O lançamento mais recente do Lamb of God foi VII: Sturm und Drang, de 2015.

O serviço completo do Liberation Festival pode ser visto aqui.

Napalm Death faz show epiléptico em SP para galera alucinada

Napalm Death no palco do Clash Club, em São Paulo
Napalm Death no palco do Clash Club, em São Paulo

Já tinha ouvido falar da energia do Napalm Death no palco, mas nunca tinha ido a um show dos caras. No domingo (26/6), o lendário grupo inglês que botou o espírito punk no metal tocou no Clash Club. Fui lá ver e pirei! Sem dúvida, é a banda que mais incendeia o público ao vivo. Desde a primeira canção, Mass Appeal Madness, formou-se uma imensa roda de metaleiros enlouquecidos que só se desfez depois de Smear Campaign, que encerrou a noitada.

+ A Invocação do Mal 2 não é legal, não

A impressão é que Mark “Barney” Greenway, vocalista e homem de frente do Napalm Death, teve um ataque epiléptico bem no início da apresentação e foi curar depois que apagaram as luzes. Ele berra, treme, chuta o ar, corre e se joga no palco com a disposição de um moleque de 15 anos. (Mark já tem 46 anos). Tudo é rápido demais, seco, brutal, uma paulada sonora sem preocupação com melodias. E, mesmo que você não seja fã da banda, vai embarcar na proposta. Continuar lendo

Soulfly bota fogo na galera com Sepultura, Motörhead, Pantera e um elemento surpresa

Max Cavalera comanda o Soulfly no Audio Club (Foto: Edu Lawless)
Max Cavalera comanda o Soulfly no Audio Club (Foto: Edu Lawless)

Max Cavalera ofereceu tudo o que os metaleiros desejavam neste domingão no Audio Club, em São Paulo. À frente do Soulfly, o lendário vocalista do Sepultura misturou um apanhado de hits da ex-banda, canções novas do disco Archangel e combinou homenagens a Lemmy, do Motörhead, Pantera, Metallica, Iron Maiden… A apresentação, que teve  abertura dos paulistanos do Project46, fez parte da turnê do Soulfly pela América Latina. Antes, eles rodaram o país com passagens por cidades como Fortaleza, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto e Florianópolis.

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Krisiun: o novo disco em show pequeno e brutal no ABC

 

Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury
Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury

A experiência de ver o trio gaúcho Krisiun é sempre devastadora. Eles são rápidos, pesados e a sensação é de que você está no fogo cruzado de uma guerra, entre tiros de metralhadora e bombardeios. Neste sábado (28), o melhor grupo de death metal do país subiu ao palco do Anexo Brasa, em São Bernardo do Campo, para divulgar o novo álbum, Forged in Fury, lançado em agosto de 2015.

O disco, lançado pela Century Media e com produção de Erik Rutan, que já trabalhou com bandas como Morbid Angel, uma das influências mais declaradas pelo Krisiun, e Cannibal Corpse, tem sido encarado como um dos melhores feitos dos caras. Em crítica bem positiva, a prestigiosa publicação Metal Hammer concedeu ao álbum 8 de 10 pontos na sua escala de avaliação. É realmente muito bom, mais pesado e musicalmente mais bem resolvido do que o anterior, The Great Execution (2011), produzido na Alemanha.

+ At the Gates em São Paulo: a lenda sueca

E funciona ao vivo. Na apresentação que rolou ontem, após a banda excursionar por Estados Unidos e Europa, Scars of the Hatred, por exemplo, atingiu o público de pouco mais de 150 pessoas como um rolo compressor impiedoso. A bateria de Max Kolesne e a guitarra de Moyses soaram como uma metralhadora fuzilando tudo pela frente. Alex Camargo (vocal) disse que se sentia entre amigos tocando no quintal de casa. De fato, o clima informal e o espaço pequeno deram uma pegada ainda mais brutal para o show. “Viva o ABC e o metal nacional!”, gritou para a galera.

O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC
O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC

O repertório combinou músicas novas e antigos sucessos como Descending Abomination, do disco The Great Execution (2013), Vengeances Revelation, do Apocalyptic Revelation (1998), e Combustion Inferno, do Southern Storm (2008). É notável como o trio segue fiel (ainda bem!) à sua personalidade trash ao longo da trajetória, sem ceder a modismos ou aliviar a pegada. Tem, sim, uma evolução perceptível, principalmente em termos de clareza e nuances tanto da gravação quanto das composições, mas tudo funciona para deixar mais evidente a habilidade monstruosa dos músicos e a crueza do som.

Desde 2013, quando tocaram pela primeira vez no festival Rock in Rio, o Krisiun fez aparições mais constantes em casas e eventos menos acostumados ao gênero, a exemplo da apresentação na Virada Cultural neste ano. São mais de 25 anos de carreira e um respeito merecido tanto do público nacional quanto, principalmente, dos headbangers de fora do país. É o mesmo percurso de sucesso conquistado pelo Sepultura, mas sem os desvios de rota.

Aqui embaixo o vídeo de Blood of Lions:

At the Gates em São Paulo: a lenda sueca (último show?)

Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)
Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)

Pena que pouca gente (não mais do que 300 pessoas na minha conta a olho nu, ou seja, sem tanto valor científico) tenha visto o show do At The Gates neste domingão (13) gelado em São Paulo. Será que perderam a noção de quem são os caras? Cadê os metaleiros da capital? Vendo Dança dos Famosos no Faustão?

Afinal de contas, estamos falando da banda que deu novos ares ao death metal sueco, principalmente com o lançamento de Slaughter of the Soul, disco de 1995 lançado pelo selo Earache que se tornou um clássico do gênero. Go! Numa lista organizada pelo site Metalsucks, do grande Axl Rosenberg, que ouviu críticos, músicos e outros especialistas, o At The Gates figura entre as 20 melhores bandas de metal de todos os tempos, atrás apenas de nomes como Metallica, Iron Maiden, Carcass.

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Eles subiram ao palco do Clash Club, na Barra Funda, às 20h, embora o show estivesse previsto para começar às 20h30. Sem frescura, com um boné para esconder a cabeleira rala, Tomas Lindberg (vocal) despertou a plateia composta de fãs das antigas (poucos jovens estavam presentes) com duas pauladas: Death and the Labyrinth, música que abre o novo disco, At War with Reality (2014), e Slaughter of the Soul, uma das mais esperadas da noite.

Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)
Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)

Foi um show rápido, seco e pesado. Uma hora e meia de um death metal que muita gente tenta copiar mas não consegue, no qual há um exato equilíbrio entre frases melódicas sem nenhuma afetação, letras melancólicas e a rapidez do metalcore. “We are back. We love death metal”, gritou Lindberg, o mais enérgico do palco, que comandou a galera do início ao fim, batendo na mão dos fãs mais próximos do palco e interagindo com os irmãos Anders e Jonas Björler (guitarra e baixo, nessa ordem).

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Legal ver um tiozão no meio da roda, de óculos como se fosse um nerd entre os metaleiros, pogando sem medo de levar paulada de marmanjo e cantando as letras de cabo a rabo. A coisa pegou fogo mesmo com Suicide Nation, Under a Serpent Sun e, claro, Blinded by Fear, a canção que projetou o grupo sueco nos anos 90.

Há um gostinho histórico nessa apresentação do At the Gates, que encerrou a turnê pela América Latina, passando por Argentina, Chile, Bolívia, México e outros países, já que ninguém sabe se os caras vão continuar na ativa por mais tempo. Depois de rupturas e quase 20 anos sem lançar uma música nova (o disco mais recente, At War with Reality, é de 2014 e foi considerado por muitos críticos o melhor do ano passado), ter o privilégio de vê-los valeu a noite. Que continuem a todo vapor!

Não conhece o som dos caras? Dá uma olhada no clipe abaixo da música The Book of Sand (The Abomination), lançado na semana passada.