Krisiun: o novo disco em show pequeno e brutal no ABC

 

Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury
Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury

A experiência de ver o trio gaúcho Krisiun é sempre devastadora. Eles são rápidos, pesados e a sensação é de que você está no fogo cruzado de uma guerra, entre tiros de metralhadora e bombardeios. Neste sábado (28), o melhor grupo de death metal do país subiu ao palco do Anexo Brasa, em São Bernardo do Campo, para divulgar o novo álbum, Forged in Fury, lançado em agosto de 2015.

O disco, lançado pela Century Media e com produção de Erik Rutan, que já trabalhou com bandas como Morbid Angel, uma das influências mais declaradas pelo Krisiun, e Cannibal Corpse, tem sido encarado como um dos melhores feitos dos caras. Em crítica bem positiva, a prestigiosa publicação Metal Hammer concedeu ao álbum 8 de 10 pontos na sua escala de avaliação. É realmente muito bom, mais pesado e musicalmente mais bem resolvido do que o anterior, The Great Execution (2011), produzido na Alemanha.

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E funciona ao vivo. Na apresentação que rolou ontem, após a banda excursionar por Estados Unidos e Europa, Scars of the Hatred, por exemplo, atingiu o público de pouco mais de 150 pessoas como um rolo compressor impiedoso. A bateria de Max Kolesne e a guitarra de Moyses soaram como uma metralhadora fuzilando tudo pela frente. Alex Camargo (vocal) disse que se sentia entre amigos tocando no quintal de casa. De fato, o clima informal e o espaço pequeno deram uma pegada ainda mais brutal para o show. “Viva o ABC e o metal nacional!”, gritou para a galera.

O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC
O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC

O repertório combinou músicas novas e antigos sucessos como Descending Abomination, do disco The Great Execution (2013), Vengeances Revelation, do Apocalyptic Revelation (1998), e Combustion Inferno, do Southern Storm (2008). É notável como o trio segue fiel (ainda bem!) à sua personalidade trash ao longo da trajetória, sem ceder a modismos ou aliviar a pegada. Tem, sim, uma evolução perceptível, principalmente em termos de clareza e nuances tanto da gravação quanto das composições, mas tudo funciona para deixar mais evidente a habilidade monstruosa dos músicos e a crueza do som.

Desde 2013, quando tocaram pela primeira vez no festival Rock in Rio, o Krisiun fez aparições mais constantes em casas e eventos menos acostumados ao gênero, a exemplo da apresentação na Virada Cultural neste ano. São mais de 25 anos de carreira e um respeito merecido tanto do público nacional quanto, principalmente, dos headbangers de fora do país. É o mesmo percurso de sucesso conquistado pelo Sepultura, mas sem os desvios de rota.

Aqui embaixo o vídeo de Blood of Lions:

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