The Astonishing: É preciso falar sobre o que fez o Dream Theater

Dream Theater: mais ambicioso do que nunca
Dream Theater: mais ambicioso do que nunca

Numa época em que músicas se tornam cada vez mais descartáveis e avulsas, muitas delas lançadas e vendidas fora de um álbum, ouvir o trabalho novo do Dream Theater, The Astonishing, que saiu no início deste ano, é estar diante de um estranho fora do ninho. Os caras produziram uma ópera rock, em CD duplo, composta por 34 faixas e mais de 120 minutos.

Cada canção conta um trecho da história maluca inventada por John Petrucci, o guitarrista e líder da banda americana de metal progressivo, segundo a qual a milícia Ravenskill luta, usando o poder da música, contra o domínio opressor do Great Northern Empire. Tudo se passa em 2285, num ambiente futurista em que máquinas chamadas NOMACS foram concebidas para executarem o som perfeito, mas sofreram interferências malignas pelo caminho.

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Metal Selva de Pedra: o underground é aqui

Os caras do Furia Inc: canções do novo álbum, Murder Nature
Os caras do Furia Inc: canções do novo álbum, Murder Nature

É de tirar o chapéu a iniciativa de um coletivo de bandas da capital paulista de colocar de pé, mais uma vez, um festival realizado na marra, sem recursos, e reunir bandas que fazem parte do metal underground de São Paulo. É o Metal Selva Pedra, que chegou à sua segunda edição na noite de ontem (sábado, 5 de março) no Ozzy Stage Bar, na Barra Funda.

E a noite foi pesada, intensa e cheia de mosh (o lema do festival é #vempromosh). O mais legal é o espírito de camaradagem entre as bandas. Ficamos com a sensação de que rola de fato uma amizade leal entre todo mundo que sobe ao palco. Todos se ajudam, se incentivam. Vi várias vezes, por exemplo, o baterista de uma das bandas ajudando a preparar os instrumentos de outra. Ou o guitarrista auxiliando seu parceiro a passar o som. É assim que a coisa acontece!

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The Dillinger Escape Plan vem ao Brasil pela primeira vez em abril

The Dillinger Escape Plan
The Dillinger Escape Plan em ação (Divulgação)

É oficial! A banda americana de metal The Dillinger Escape Plan vai se apresentar pela primeira vez no país. O show está programado para ser realizado na Clash Club, em São Paulo, no dia 17 de abril, um domingão. Os ingressos custam de 100 a 300 reais e começam a ser vendidos amanhã (19 de janeiro) pelo site www.clubedoingresso.com.

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Rotten Pieces: é bom ficar de olho nesses moleques!

Davi Menezes (bateria), Leo Morales (vocal/baixo) e Lucas Putini (guitarra)
Davi Menezes (bateria), Leo Morales (vocal/baixo) e Lucas Putini (guitarra)

Vi os moleques do Rotten Pieces em ação, pela primeira vez, abrindo para o Krisiun em São Bernardo do Campo. Fiquei impressionado com a maturidade do som e a energia no palco, levando em conta que os três integrantes da banda de death metal têm menos de 20 anos. É a novíssima geração do metal trazendo um som brutal para a cena nacional. É bom ficar de olho neles!

+ Krisiun: o novo disco em show brutal no ABC

Formado por Leo Morales (vocal e baixo), Lucas Putini (guitarra) e Davi Menezes (bateria), o grupo acaba de lançar o primeiro EP, Rot in Pieces, composto de seis faixas e produzido por Léo Magma. Dá para ouvir completo aqui. Gostei do álbum (e do show) porque não há frescura nem excessos, frases ou solos dispensáveis. Eles vão direto ao ponto, têm bons riffs de guitarra, uma voz gutural que ecoa o Sepultura e uma bateria rápida e precisa. Parece coisa de gente grande!

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50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, para a Loudwire

 

O fim de ano se aproxima e as listas de melhores discos e filmes abundam em sites e revistas. A publicação americana Loudwire, especializada em hard rock e heavy metal, soltou uma seleção legal (com algumas polêmicas) dos 50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, com comentários justificando cada escolha.

Em geral, considero uma lista justa e abrangente das diferentes vertentes do gênero, do power ao black metal. Há, no entanto, apostas pouco óbvias, como meter o Korn (por ser um dos criadores do nu metal) e o metal progressivo do Dream Theater entre Black Sabbath, Metallica e Iron Maiden. Num honroso 21º lugar aparecem os brasucas do Sepultura com Beneath the Remains, de 1989.

+ At the Gates em São Paulo: saiba como foi o show

Talvez a posição mais inusitada seja a 11ª colocação para os armênios radicados nos Estados Unidos do System of a Down, devido ao sucesso espetacular e a inovação de Toxicity. Pessoalmente gosto dessa aposta; colocaria, no entanto, mais para o meio da lista. Senti falta, por outro lado, de bandas como Carcass (Heartwork estaria na minha lista), Lamb of God (As the Palaces Burn, a meu ver, merecia ser lembrado) e AC/DC (tudo bem, eles estão na fronteira entre o rock e o metal, mas valeria a menção).

Confira a lista completa abaixo:

1. Black Sabbath, Paranoid
2. Metallica, Master of Puppets
3. Iron Maiden, The Number of the Beast
4. Slayer, Reign in Blood
5. Pantera, Vulgar Display of Power
6. Ozzy Osbourne, Blizzard of Ozz
7. Judas Priest, Screaming for Vengeance
8. Metallica, Ride the Lightning
9. Megadeth, Peace Sells… But Who’s Buying?
10. Black Sabbath, Master of Reality

'Master of Puppets', do Metallica, sempre no topo de qualquer lista
‘Master of Puppets’, do Metallica, sempre no topo de qualquer lista

11. System of a Down, Toxicity
12. Motorhead, Ace of Spades
13. Tool, Lateralus
14. Venom, Welcome to Hell
15. Opeth, Blackwater Park
16. Black Sabbath, Black Sabbath
17. Dio, Holy Diver
18. Judas Priest, Sad Wings of Destiny
19. Mastodon, Leviathan
20. Rainbow, Rising

'Black Sabbath', do Black Sabbath: o pai de todos
‘Black Sabbath’, do Black Sabbath: o pai de todos

21. Sepultura, Beneath the Remains
22. Slayer, Seasons in the Abyss
23. Black Sabbath, Heaven and Hell
24. Queensryche, Operation: Mindcrime
25. Dream Theater, Images and Words
26. Exodus, Bonded by Blood
27. Entombed, Wolverine Blues
28. Celtic Frost, To Mega Therion
29. Anthrax, Among the Living
30. At the Gates, Slaughter of the Soul

'Beneath the Remains', do Sepultura: único representante brasileiro da lista
‘Beneath the Remains’, do Sepultura: único representante brasileiro

31. Judas Priest, British Steel
32. Metallica, Kill ‘Em All
33. Megadeth, Rust in Peace
34. Death, Human
35. Iron Maiden, Powerslave
36. Metallica, The Black Album
37. Emperor, Anthems to the Welkin at Dusk
38. Mercyful Fate, Don’t Break the Oath
39. Korn, Korn
40. Bathory, Bathory

'Powerslave', do Iron Maiden: clássico britânico
‘Powerslave’, do Iron Maiden: clássico britânico

41. King Diamond, Abigail
42. Neurosis, Times of Grace
43. Helloween, Keeper of the Seven Keys, Part I
44. Morbid Angel, Altars of Madness
45. Iron Maiden, Iron Maiden
46. Darkthrone, A Blaze in the Northern Sky
47. Cannibal Corpse, Tomb of the Mutilated
48. Slipknot, Slipknot
49. Mayhem, De Mysteriis Dom Sathanas
50. Accept, Balls to the Wall

Krisiun: o novo disco em show pequeno e brutal no ABC

 

Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury
Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury

A experiência de ver o trio gaúcho Krisiun é sempre devastadora. Eles são rápidos, pesados e a sensação é de que você está no fogo cruzado de uma guerra, entre tiros de metralhadora e bombardeios. Neste sábado (28), o melhor grupo de death metal do país subiu ao palco do Anexo Brasa, em São Bernardo do Campo, para divulgar o novo álbum, Forged in Fury, lançado em agosto de 2015.

O disco, lançado pela Century Media e com produção de Erik Rutan, que já trabalhou com bandas como Morbid Angel, uma das influências mais declaradas pelo Krisiun, e Cannibal Corpse, tem sido encarado como um dos melhores feitos dos caras. Em crítica bem positiva, a prestigiosa publicação Metal Hammer concedeu ao álbum 8 de 10 pontos na sua escala de avaliação. É realmente muito bom, mais pesado e musicalmente mais bem resolvido do que o anterior, The Great Execution (2011), produzido na Alemanha.

+ At the Gates em São Paulo: a lenda sueca

E funciona ao vivo. Na apresentação que rolou ontem, após a banda excursionar por Estados Unidos e Europa, Scars of the Hatred, por exemplo, atingiu o público de pouco mais de 150 pessoas como um rolo compressor impiedoso. A bateria de Max Kolesne e a guitarra de Moyses soaram como uma metralhadora fuzilando tudo pela frente. Alex Camargo (vocal) disse que se sentia entre amigos tocando no quintal de casa. De fato, o clima informal e o espaço pequeno deram uma pegada ainda mais brutal para o show. “Viva o ABC e o metal nacional!”, gritou para a galera.

O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC
O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC

O repertório combinou músicas novas e antigos sucessos como Descending Abomination, do disco The Great Execution (2013), Vengeances Revelation, do Apocalyptic Revelation (1998), e Combustion Inferno, do Southern Storm (2008). É notável como o trio segue fiel (ainda bem!) à sua personalidade trash ao longo da trajetória, sem ceder a modismos ou aliviar a pegada. Tem, sim, uma evolução perceptível, principalmente em termos de clareza e nuances tanto da gravação quanto das composições, mas tudo funciona para deixar mais evidente a habilidade monstruosa dos músicos e a crueza do som.

Desde 2013, quando tocaram pela primeira vez no festival Rock in Rio, o Krisiun fez aparições mais constantes em casas e eventos menos acostumados ao gênero, a exemplo da apresentação na Virada Cultural neste ano. São mais de 25 anos de carreira e um respeito merecido tanto do público nacional quanto, principalmente, dos headbangers de fora do país. É o mesmo percurso de sucesso conquistado pelo Sepultura, mas sem os desvios de rota.

Aqui embaixo o vídeo de Blood of Lions:

At the Gates em São Paulo: a lenda sueca (último show?)

Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)
Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)

Pena que pouca gente (não mais do que 300 pessoas na minha conta a olho nu, ou seja, sem tanto valor científico) tenha visto o show do At The Gates neste domingão (13) gelado em São Paulo. Será que perderam a noção de quem são os caras? Cadê os metaleiros da capital? Vendo Dança dos Famosos no Faustão?

Afinal de contas, estamos falando da banda que deu novos ares ao death metal sueco, principalmente com o lançamento de Slaughter of the Soul, disco de 1995 lançado pelo selo Earache que se tornou um clássico do gênero. Go! Numa lista organizada pelo site Metalsucks, do grande Axl Rosenberg, que ouviu críticos, músicos e outros especialistas, o At The Gates figura entre as 20 melhores bandas de metal de todos os tempos, atrás apenas de nomes como Metallica, Iron Maiden, Carcass.

+ Klaus Renft Combo: o rock da RDA sob o regime vermelho

Eles subiram ao palco do Clash Club, na Barra Funda, às 20h, embora o show estivesse previsto para começar às 20h30. Sem frescura, com um boné para esconder a cabeleira rala, Tomas Lindberg (vocal) despertou a plateia composta de fãs das antigas (poucos jovens estavam presentes) com duas pauladas: Death and the Labyrinth, música que abre o novo disco, At War with Reality (2014), e Slaughter of the Soul, uma das mais esperadas da noite.

Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)
Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)

Foi um show rápido, seco e pesado. Uma hora e meia de um death metal que muita gente tenta copiar mas não consegue, no qual há um exato equilíbrio entre frases melódicas sem nenhuma afetação, letras melancólicas e a rapidez do metalcore. “We are back. We love death metal”, gritou Lindberg, o mais enérgico do palco, que comandou a galera do início ao fim, batendo na mão dos fãs mais próximos do palco e interagindo com os irmãos Anders e Jonas Björler (guitarra e baixo, nessa ordem).

+ Ghost: entre o papa e o Mr. M

Legal ver um tiozão no meio da roda, de óculos como se fosse um nerd entre os metaleiros, pogando sem medo de levar paulada de marmanjo e cantando as letras de cabo a rabo. A coisa pegou fogo mesmo com Suicide Nation, Under a Serpent Sun e, claro, Blinded by Fear, a canção que projetou o grupo sueco nos anos 90.

Há um gostinho histórico nessa apresentação do At the Gates, que encerrou a turnê pela América Latina, passando por Argentina, Chile, Bolívia, México e outros países, já que ninguém sabe se os caras vão continuar na ativa por mais tempo. Depois de rupturas e quase 20 anos sem lançar uma música nova (o disco mais recente, At War with Reality, é de 2014 e foi considerado por muitos críticos o melhor do ano passado), ter o privilégio de vê-los valeu a noite. Que continuem a todo vapor!

Não conhece o som dos caras? Dá uma olhada no clipe abaixo da música The Book of Sand (The Abomination), lançado na semana passada.

Ghost, entre o Papa e o Mr. M

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É esquisito o show dos suecos do Ghost. Não somente pela maquiagem preta e branca do vocalista ou pela máscara de Darth Vader do restante dos integrantes, mas pela atmosfera irregular do começo ao fim. A banda, que se apresentou em São Paulo na sexta (5/9) para um público devoto que não chegou a lotar o HSBC Brasil, lançou dois discos, Opus Eponymous (2010) e Infestissumam (2013), e alimentou bem o mistério ao não identificar o nome de seus membros. Até hoje ninguém sabe quem são eles.

Ok, não é uma estratégia tão nova assim. O pessoal do Brujeria, por exemplo, também cultivou esse sigilo até onde deu. O fato é que isso funciona com os fãs, que tendem a gostar do enigma, a discutir as identidades nas redes sociais. Papa Emeritus, o vocalista que se veste como um sumo pontífice das trevas, de bata preta com forro roxo, rosto pintado como se fosse uma caveira e uma mitra, é uma figuraça. Ao entrar no palco, ele assusta, como deve ser, faz gestos lentos e calculados como os de um papa, não fala nada e solta a voz. Ao contrário do que se imagina vendo apenas a figura dele, sua voz é limpa, às vezes até fina.

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O ritmo também não é pesado, mas encabula a plateia como se fosse um canto gregoriano. Todos acompanham o Papa num coral possuído. Entre uma canção e outra, a galera não se aguentava: “Olê, olê, olê, olêêê, Lucifer, Lucifê”. Con Clavi con Dio e Year Zero foram de arrepiar, dois pontos altos do show, tocadas e interpretadas como uma seita.

Por vezes temos a impressão de estar ouvindo um metal progressivo, com sintetizadores funcionando a topo vapor. A presença quase imóvel dos caras garante o tom solene, mas perde em energia. A meu ver, faz falta um movimento mais bruto, que seja um ataque epilético. Os problemas, no entanto, começam quando Papa Emeritus fala com a plateia –a voz de um garoto com sotaque texano– e quebra o encanto. Enquanto mexe o colar com a cruz invertida, manda beijos para os fãs como se fosse um candidato. Aí é como se o Jason tirasse a máscara no meio do filme. Não faz sentido.

O que era para ser uma encarnação de satanás no palco vira um Mr. M burlesco. De repente, até canções mais pop, a exemplo de Zombie Queen, fazem os fãs dançarem como se estivessem numa pista de dança. O simbolismo vai por água abaixo, e minha paciência também foi nessa hora.