Mais uma obra-conceito do BTBAM

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Cada álbum lançado pelo Between the Buried and Me é uma poção mágica difícil de decifrar, mas que, depois de um tempo ouvindo com atenção, mostra seu encanto. O mistério não está somente no som intricado, com diferentes camadas de rock progressivo, death metal, jazz, mas também nas letras profundas. Trabalho que sucede o álbum Coma Ecliptic, de 2015, Automata I é a primeira parte de uma obra dupla, cujo segundo ato está programado para vir a público em julho deste ano. Um disco conceito que narra um universo à la Truman Show, no qual uma vítima tem sua história e seus sonhos roubados por uma indústria do entretenimento. A guerra ética entre privacidade e audiência se instala.

Nascida em 2000, a banda da Carolina do Norte (EUA) tornou-se um nome fora da curva no cenário do metal. Nem sei bem se dá para dizer que estamos falando de uma banda de metal. Quando ouço o som dos caras, penso na estrutura quebrada do Dream Theater e da fase mais recente do Opeth, embora o vocal de Tommy Giles Rogers Jr., em certos momentos, mostre inspirações do death metal de grupos como At The Gates (que, aliás, também acaba de lançar novo trabalho). Em outros trechos, a segunda voz limpa do guitarrista Paul Waggoner soa como Pink Floyd, aproximando-se do rock progressivo.

+ Elder e a metamorfose do rock

Automata I é um grande álbum, pesado e melódico ao mesmo tempo. Mas, como disse, é preciso tempo e dedicação para ouvir e reouvir as seis faixas. Condemned to the Gallows, a música que abre o disco, é lenta, depois rápida, depois suja, depois limpa… Como a letra indica, estamos, afinal, no meio de um sonho, em um ambiente lunático, psicodélico, dominado pela tecnologia e por ruídos sonoros de sintetizadores. Millions pode ser encarada como uma boa música de divulgação do álbum, com estrutura menos complexa e um refrão que fica na cabeça.

É o oitavo álbum de estúdio do BTBAM, que, desde Colors (2007) — disco que esteve entre os melhores do ano em diversas publicações — tem chamado a atenção pela busca incessante em descobrir e experimentar novos sons. É um dos protagonistas de uma nova onda de metal formada após os anos 2000, ao lado de Deafheaven, Elder

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