Nymphomaniac: Lars Von Trier vai chocar de novo

O novo filme do dinamarquês Lars Von Trier (de “Dogville” e “Anticristo”, entre outras obras perturbadoras) só será lançado no fim do ano na Europa, mas algumas cenas veiculadas pelo próprio diretor já servem de aperitivo para o que vem por aí. Confira abaixo os trechos.

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O tema é sexo. Ao entrar no site oficial, vem logo de cara a mensagem: “esqueça o amor”. A atriz inglesa Charlote Gainsbourg interpreta Joe, uma ninfomaníaca. A sua vida erótica é retratada da infância à meia-idade no filme. A expectativa é de que Von Trier não poupe o espectador; deve mostrar cenas explícitas de sexo.

Tanto que serão lançadas duas versões da obra: uma mais light (para a família) e outra hardcore. Estão no elenco também Shia LaBeouf, Uma Thurman e Christian Slater. Eles devem estar sofrendo no set com as maluquices de Von Trier, como sofreu Nicole Kidman, mas o diretor parece mais brando dessa vez: não obrigou as estrelas de Hollywood a fazerem sexo diante da câmera, optou por dublês.

Esta primeira cena mostra Joe (ainda jovem) com a amiga numa viagem de trem. As duas apostam quantos homens elas conseguem seduzir ao longo do caminho.

 

Aqui, Joe aparece num ambiente de trabalho com Jerome (interpretado por Shia LaBeouf). O terceiro aperitivo deve sair em breve no site oficial do filme.

Quando o trailer é tão bom ou melhor que o filme

A revista americana “Wired” fez uma interessante reportagem sobre a evolução dos trailers no cinema, desde os anos 1940 até os dias de hoje. Mostra como esse recurso usado para atrair a atenção do espectador pode salvar um filme ou derrubá-lo antes de ser lançado.

Nos anos 1950, tudo era hiperbólico. Títulos carregados (quase sempre amarelos) preenchiam toda a tela com nomes de atores e inovações técnicas. Na década seguinte, os diretores ganharam mais destaque: Hitchcock, por exemplo, adorava aparecer na tela dando explicações engraçadinhas de suas próprias tramas. Assim como Woody Allen.

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A edição ficou mais ligeira. Na contagem da “Wired”, o trailer de “Dr. Strangelove”, de Kubrick, tem 220 cortes em 97 segundos.

Aí vieram os filmes apocalípticos e, com eles, o nosso querido Don LaFontaine (uma espécie de Lombardi dos teasers), o cara que narrou mais de 5.000 trailers nos EUA e tornou-se célebre ao usar clichês como “in a world”, “there is no rule” ou “at a time” para enfatizar tempos futuros e planetas desconhecidos.

Abaixo três trailers que merecem o seu clique:

Psicose (1960), de Alfred Hitchcock

Alien (1979), de Ridley Scott

O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick

As máscaras assustadoras que fizeram história no cinema de terror

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Michael Myers em Halloween (1978)

A meu ver, Michael Myers é o serial killer mais aterrorizante do cinema. Não brinca em serviço como Jason e não é fanfarrão como Freddy Krueger. Anda, não corre. Aparece pouco para manter o suspense, como deve ser. O vilão de “Halloween” mata a irmã, aos seis anos, depois que ela faz sexo com o namorado. Quinze anos depois, ele foge do manicômio num carro da enfermeira para botar o terror em Haddonfield, Illinois. A máscara branca, de olhos que parecem derretidos e cabelo arrepiado foi comprada pelo diretor de arte do filme, Tommy Wallace, por US$ 1,98. E tinha a cara do Captain Kirk, de “Star Trek”, modelada.

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Jason Voorhees em Sexta-Feira 13 (1980)

A máscara mais famosa do cinema, que se consolidou como uma marca registrada do terror e rendeu fartas cifras aos criadores, nada mais é do que uma máscara de um goleiro do time de hóquei americano Detroit Red Wings. O supervisor de efeitos especiais Martin Jay foi o dono da ideia. Com um produto químico ela foi esticada e triângulos vermelhos foram desenhados. Jason Voorhees se tornou o psicopata mais copiado do cinema ao dilacerar adolescentes em acampamentos de verão.

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Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica (1974)

A história, inspirada num caso real que chocou o Texas, é de um grupo de viajantes que se torna vítima do canibal  Leatherface (interpretado por Gunnar Hansen). Sua máscara é feita com a pele de suas vítimas costuradas com tripas. É um assassino brutal, que usa a motosserra para esquartejar quem estiver pela frente. Menção especial ao diretor Tobe Hooper, que dedicou quase toda a carreira aos filmes de terror, entre eles “Poltergeist” (1982).

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Asa em A Máscara do Demônio (1960)

Mario Bava foi um dos precursores do cinema de horror barroco italiano. “A Máscara do Demônio” é seu primeiro longa-metragem. O roteiro, baseado no conto “Viy”, do escritor russo Nikolai Gogol, conta a história da princesa Asa e de seu irmão Igor Javutich, condenados a morrer na fogueira por práticas de satanismo. Antes de serem queimados, ambos têm duas máscaras cheias de espinhos pregadas no rosto. O rosto machucado de espinhos da atriz inglesa Barbara Steele é um clássico trash.

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As crianças deformadas em The Brood (1979)

Não dá para deixar de fora dessa lista o canadense David Cronenberg, que no início da carreira abusava dos rostos e corpos deformados. Hoje em dia ele anda mais blasé, apesar de continuar com um cinema potente. Apesar de não ser o filme mais conhecido do diretor, está entre os mais arrepiantes da sua carreira. Não viu? É a história de uma mulher levada pelo marido a um psiquiatra com métodos exóticos de tratamento da raiva. Vale o posto aqui por causa das crianças mutantes que nascem de seus experimentos: a testa protuberante, o loiro escorrido dos cabelos e os olhos fundos.

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Lesnie Verno em The Rise of Lesnie Vernon (2006)

Para pegar um exemplo mais recente, esta ficção rodada num estilo documental mostra como um matador em série se prepara para seus atos, como se comporta. O diretor Scott Glosserman tenta desconstruir a figura de um “slasher”, mostrando sem afetação a sua rotina. Ele está meio deprimido na cena acima.

O pior cineasta de todos os tempos

Edward Wood Jr., mais conhecido como Ed Wood, foi quem recebeu a honraria acima. Nada mais justo. De tão toscos, seus filmes ganharam o status de cult e passaram a ser venerados por entusiastas do lado B. Wood foi criado pela mãe como uma mulher, depois tomou gosto pela indumentária feminina e virou um cross dresser (assim como o nosso querido Laerte).

glen or glenda

Conta-se que o diretor usava calcinhas e sutiã por baixo do uniforme militar ao servir na Segunda Guerra Mundial. Tim Burton ajudou a imortalizá-lo ao lançar em 1994 o filme “Ed Wood”, com Johnny Deep no papel do filmografado. Sua produção teve mais volume nos anos 1950, quando dirigiu “A Noiva do Monstro” (1955), sobre um polvo gigante que amedronta uma cidade do interior dos EUA, e o autobiográfico “Glen or Glenda” (1953, foto acima), que retrata a dança volátil dos gêneros.

Para ver esses e outros filmes de Wood, a Caixa Cultural (SP) montou uma mostra bacana dedicada ao autor, que vai de 16 a 30 de agosto. Vale conferir!