The Astonishing: É preciso falar sobre o que fez o Dream Theater

Dream Theater: mais ambicioso do que nunca
Dream Theater: mais ambicioso do que nunca

Numa época em que músicas se tornam cada vez mais descartáveis e avulsas, muitas delas lançadas e vendidas fora de um álbum, ouvir o trabalho novo do Dream Theater, The Astonishing, que saiu no início deste ano, é estar diante de um estranho fora do ninho. Os caras produziram uma ópera rock, em CD duplo, composta por 34 faixas e mais de 120 minutos.

Cada canção conta um trecho da história maluca inventada por John Petrucci, o guitarrista e líder da banda americana de metal progressivo, segundo a qual a milícia Ravenskill luta, usando o poder da música, contra o domínio opressor do Great Northern Empire. Tudo se passa em 2285, num ambiente futurista em que máquinas chamadas NOMACS foram concebidas para executarem o som perfeito, mas sofreram interferências malignas pelo caminho.

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Tem de tudo nas composições: personagens, coros, acompanhamento de orquestra, ruídos futuristas, barulho de cavalaria etc. É um álbum ainda mais pretensioso do que Scenes from a Memory (1999), outro trabalho bem conceitual do grupo. Tenho curiosidade para saber o que os fãs acharam.

The Astonishing: o disco novo
The Astonishing: o disco novo

Quando eu era moleque ouvia muito Dream Theater –cheguei a ir a dois shows (na primeira vez deles no país, no Aramaçan, em Santo André, em 1997, e no estacionamento do Credicard Hall, em 2008)–, mas o virtuosismo e o excesso me cansaram com o tempo. Acompanhei mais de perto até o Train of Thought (2003), depois perdi de vista. Ainda gosto muito do Images and Words (1992), mas confesso que não tenho mais tanto saco.

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Acontece que ter pela frente The Astonishing é, no mínimo, digno de nota pela grandiosidade e complexidade da obra. As letras, cá entre nós, não são lá essas coisas, mas narram uma trama com começo, meio e fim em composições cheias de frases cortadas e mudanças de ritmo de acordo com a situação dos personagens. Quanto à perfeição técnica não há o que falar. Algumas músicas, como The Gift of Music, a balada Chosen (com uma pegada autoajuda) e A New Beginning, vão ganhar vida própria e podem ser ouvidas sozinhas tranquilamente.

Na primeira delas, The Gift of Music (cujo clipe pode ser visto abaixo) James Labrie canta como se deixasse uma provocação a quem está ouvindo: “People just don’t have the time for music anymore, but no one seems to care” (As pessoas não têm mais tempo para a música, mas ninguém parece se preocupar com isso).

 

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