Vinyl: um giro louco e intenso pelos anos 70 com Martin Scorsese

O canastrão Richie Finestra (Bobby Cannavale)
O canastrão Richie Finestra (Bobby Cannavale)

Queria ter falado sobre Vinyl, a nova série da HBO criada por Mick Jagger, Martin Scorsese e Terence Winter, um pouco antes, quando estreou em fevereiro. Confesso, no entanto, que foi bom ter dado um tempo de maturação. Assisti ao primeiro episódio e, quando os letreiros subiram, não sabia se tinha gostado muito ou pouco (o que é aquela cena da casa de shows desmoronando?). Agora, depois de cinco capítulos, já consigo fazer uma avaliação mais precisa.

Tenho me divertido aos domingos com a série e, em especial, com a atuação canastrona (no bom sentido) do Bobby Cannavale como Richie Finestra, o dono da American Century, uma gravadora sediada em Nova York nos anos 1970. A história é a seguinte: ele está na lama, prestes a vender o negócio para a Polygram, cheira cocaína com a mesma frequência que você toma café (ou que os personagens de Mad Men fumam cigarros e bebem uísque), tem um casamento de fachada com Devon (a atriz Olivia Wilde) e procura, entre ataques de fúria contra seus clientes e funcionários, um sentido para manter o negócio de pé e salvar a vida.

No escritório da American Century: a jovem Jamie Vine (Juno Temple)
No escritório da American Century: a jovem Jamie Vine (Juno Temple)

O cinema de Scorsese, que dirigiu o piloto de duas horas e assina também como produtor, está por toda parte: no cara que vai até o fundo do poço, nas explosões violentas dos personagens, no cuidado com a escolha da trilha sonora (aqui, um elemento fundamental, já que estamos falando do mundo das gravadoras), na narração cheia de flashbacks e imagens que congelam… A primeira cena, quando assistimos Finestra dentro do carro, se debatendo mentalmente consigo mesmo, é impossível não lembrar de Robert De Niro em Taxi Driver (1976).

Scorsese meteu a mão no acelerador no primeiro episódio. Tudo é intenso e a quantidade de personagens deixa o espectador atônito. Depois, a série desacelera um pouco, mas não muito. A reconstituição de uma época em que Led Zeppelin, New York Dolls e The Velvet Underground, entre outras bandas, brotavam como um elemento transformador da cultura mundial é irresistível, principalmente aos amantes do rock.

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Nem todos os personagens, na verdade a minoria, de fato existiram. A própria gravadora, American Century, é invenção. Mas há algumas presenças reais como a aparição de Robert Plant, do Led Zeppelin, antes de um show no Madison Square Garden. Ou o encontro de Devon, a mulher de Finestra, com o artista plástico Andy Warhol no seu famoso estúdio The Factory, no qual ela implora por uma assinatura de um retrato dela. Alice Cooper, de tão infantilizado, parece um sósia dele mesmo no terceiro episódio ao fazer um monte de brincadeiras com um agente da gravadora.

A banda punk Nasty Bits (que, de fato, não existiu)
A banda punk Nasty Bits (que, de fato, não existiu)

Assim como todos os filmes de Scorsese, Vinyl é um programa de macho. Pense nas conversas dos mafiosos em Os Bons Companheiros (1990) e reproduza a atmosfera dentro de um escritório de uma gravadora em que cheirar cocaína e fumar maconha nos corredores é uma coisa banal. No meio de tanta testosterona, a jovem Jamie Vine (Juno Temple), além de vender drogas no próprio ambiente de trabalho, tenta emplacar uma banda nas rádios e, assim, subir de carreira. Ela fica chapada com um show do grupo punk The Nasty Bits e investe nos garotos.

Vinyl tem sexo (menos do que eu imaginava, já que estamos falando de uma série da HBO), drogas (bastante, a todo momento), rock n roll (de primeira) e, ainda bem, humor. Isso graças ao grande Bobby Cannavale, que não chega a ser um baita ator (lembra dele em Boardwalk Empire?), mas encarna um filho-da-puta-picareta como ninguém. Às vezes, a série parece uma paródia dos anos 70, mas cheia de estilo.

Veja o trailer abaixo:

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