William Friedkin: o injustiçado

Aos 77 anos, William Friedkin acabou de receber em Veneza um merecido prêmio que reconhece a importância de sua obra. Ainda assim, pode-se dizer que ele é um dos maiores injustiçados do cinema americano. Comeu poeira de seus colegas contemporâneos Francis Ford Coppola, Brian de Palma e Martin Scorsese, a geração dos anos 1970 que virou Hollywood de cabeça para baixo.

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Mas, vamos direto ao ponto, Friedkin é autor de pelo menos três obras-primas: “Operação França” (1971), “O Exorcista” (1973) e “Sorcerer” (1977). E por que continua tão subestimado? Há lendas de que acumulou inimigos ao longo da carreira por ser muito linha-dura nos sets de filmagem. Chegou a demitir cinco produtores quando rodava “Sorcerer”. Foi acusado por Michael Mann de plagiar o conteúdo de “Miami Vice” no filme “Viver e Morrer em Los Angeles”. E por aí vai.

Resolvi escrever um post para tentar desfazer esse mau olhado. E, confesso, sou fã do cara. Acabei de ver em casa o insano “Killer Joe”, seu longa mais recente que passou rapidamente pelos cinemas de São Paulo, teve algumas críticas favoráveis, mas logo desapareceu do mapa. O filme é sensacional! Conta a história de um garoto endividado (Emile Hirsch) que contrata um mercenário (Matthew McConaughey) para matar a própria mãe e ficar com a grana do seguro. Isso tudo com a anuência do pai. É trash, mas é levemente cômico também. A cena do boquete numa coxa de frango da rede americana KFC é tão boa quanto a manteiga de “O Último Tango em Paris”.

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Um breve histórico do diretor. Friedkin nasceu em Chicago em 1935. Bem cedo, ingressou numa emissora de TV local, onde dirigiu documentários e séries. Apaixonou-se pelo cinema ao assistir “Cidadão Kane”, de Orson Welles. Na época, era chamado de “Billy, o Furacão”. É possível que sua adoração pelo cinema de horror tenha despertado ao trabalhar como assistente de Alfred Hitchcock nas suas famosas séries televisivas de suspense. Com o thriller policial “Operação França”, protagonizado por Gene Hackman, Friedkin se tornou um dos mais jovens cineastas a conquistar a estatueta dourada do Oscar, aos 36 anos.

Em seguida, chocou o mundo com “O Exorcista”, o filme de possessão mais copiado de todos os tempos. Nos anos 1980, derrapou em produções como “Parceiros da Noite” e “Uma Tacada da Pesada”. Voltou ao terror com “A Árvore da Maldição” (1990) e “Possuídos” (2006). Casou quatro vezes, sendo que uma de suas mulheres foi a atriz francesa Jeanne Moreau. Após uma fase morna, parece que o diretor retomou a boa forma com “Killer Joe” (trailer abaixo).

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