Mindhunter: somos todos fascinados por serial killers

Mindhunter1
O agente do FBI Holden Ford em Mindhunter, nova série do Netflix

Mindhunter não tem pressa de impressionar o público nos primeiros episódios. Comparada a outras séries, desenvolve-se em banho-maria. É meticulosa, inteligente e construída com esmero: dos diálogos aos enquadramentos e aos movimentos precisos de câmera. É necessário prestar atenção para acompanhar as extensas falas e a lógica de raciocínio dos personagens. É assustadora, sem derramar muito sangue. É macabra mais pelo impacto mental do que pelo espetáculo visual.

Basicamente, dá para resumi-la como um estudo sobre a onda de serial killers que se alastrou pelos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980, quando o FBI ainda mal sabia como classificá-los. Mas, a meu ver, instiga também por outro ângulo: a fascinação da cultura ocidental por esse tipo de criminoso — filmes como O Silêncio dos Inocentes, Seven, Henry – O Retrato de um Assassino e séries (Criminal Minds, True Detective, The Fall, Hannibal) comprovam esse interesse.

+ 10 filmes de arrepiar na 41ª Mostra de Cinema de SP

Acontece que o foco, em Mindhunter, está mais na cabeça dos criminosos e na maneira como eles são tratados e menos nas engenhosas concepções dos crimes. Aí já temos uma abordagem original. A série, cuja primeira temporada estreou no Netflix neste mês, foi criada por Joe Penhall, responsável por roteirizar para os cinemas o livro A Estrada, de Cormac McCarthy, e tem entre seus diretores o genial David Fincher. A escolha não pode ser mais acertada! Com certeza, Fincher sentiu-se em casa nessa função, já que esteve à frente de dois dos melhores filmes do gênero: Seven e Zodíaco.

Continuar lendo