Mindhunter: somos todos fascinados por serial killers

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O agente do FBI Holden Ford em Mindhunter, nova série do Netflix

Mindhunter não tem pressa de impressionar o público nos primeiros episódios. Comparada a outras séries, desenvolve-se em banho-maria. É meticulosa, inteligente e construída com esmero: dos diálogos aos enquadramentos e aos movimentos precisos de câmera. É necessário prestar atenção para acompanhar as extensas falas e a lógica de raciocínio dos personagens. É assustadora, sem derramar muito sangue. É macabra mais pelo impacto mental do que pelo espetáculo visual.

Basicamente, dá para resumi-la como um estudo sobre a onda de serial killers que se alastrou pelos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980, quando o FBI ainda mal sabia como classificá-los. Mas, a meu ver, instiga também por outro ângulo: a fascinação da cultura ocidental por esse tipo de criminoso — filmes como O Silêncio dos Inocentes, Seven, Henry – O Retrato de um Assassino e séries (Criminal Minds, True Detective, The Fall, Hannibal) comprovam esse interesse.

+ 10 filmes de arrepiar na 41ª Mostra de Cinema de SP

Acontece que o foco, em Mindhunter, está mais na cabeça dos criminosos e na maneira como eles são tratados e menos nas engenhosas concepções dos crimes. Aí já temos uma abordagem original. A série, cuja primeira temporada estreou no Netflix neste mês, foi criada por Joe Penhall, responsável por roteirizar para os cinemas o livro A Estrada, de Cormac McCarthy, e tem entre seus diretores o genial David Fincher. A escolha não pode ser mais acertada! Com certeza, Fincher sentiu-se em casa nessa função, já que esteve à frente de dois dos melhores filmes do gênero: Seven e Zodíaco.

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10 filmes de arrepiar na 41ª Mostra

As boas maneiras

As Boas Maneiras, filme brasileiro premiado no Rio e em Locarno

Em uma seleção de mais de 400 filmes, a 41ª Mostra de Cinema de São Paulo, que ocorre na capital paulista de 19 de outubro a 1º de novembro, não lançou um olhar tão cuidadoso aos filmes de terror. Foi difícil escolher — como você pode ver abaixo — uma dezena de obras dedicadas ao gênero. Não vi todas, mas seguem minhas apostas.

Os horários e salas podem ser vistos no site da 41ª Mostra.

+ O sadismo de Aronofsky em Mother! 

1. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil)
Mais um tiro certo da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, de Trabalhar Cansa. Premiado no Festival de Locarno e no Festival do Rio, o filme narra em tom fantástico a relação entre Clara, uma solitária enfermeira que vive na periferia de São Paulo, e a rica e misteriosa Ana, que a contrata para ser babá de sua criança.

2. Corvos, de Jens Assur (Suécia)
Um fazendeiro está determinado a fazer seu filho assumir a propriedade e, assim, continuar o seu legado. A mãe faz de tudo para manter a família unida, enquanto, cada vez mais aterrorizado, o filho testemunha o comportamento psicótico do pai.

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Cena do filme sueco Corvos

3. Estrangulado, de Árpád Sopsits (Hungria)
Na Hungria socialista dos anos 1960, uma série de assassinatos ocorre na pequena cidade de Martfű. Enquanto um assassino continua à solta matando jovens mulheres, um homem é acusado e sentenciado injustamente por crimes que nunca poderia ter cometido.

4. Eutanásia, de Teemu Nikki (Finlândia)
Um mecânico de meia-idade tem como segundo emprego o sacrifício de animais domésticos. Ele é contratado por um homem para matar seu cão que, segundo ele, está doente.

5. Irmãos de Inverno, de Hlynur Pálmason (Dinamarca/Islândia)
O filme conta a história de dois irmãos durante um rigoroso inverno. Suas rotinas, seus hábitos, rituais e uma violenta disputa com outra família são vistos pelo olhar de Emil, o irmão mais novo.

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Cena da produção dinamarquesa Irmãos de Inverno

6. O Estrangulador, de Paul Vecchiali (França)
O diretor Paul Vecchiali é um dos homenageadas desta edição do festival. Neste filme, de 1970, ele aborda a vida de um serial killer fetichista que mata mulheres que aparentam estar infelizes. Com isso, ele acredita que realiza um ato de bondade.

7. O Vale das Sombras, de Jonas Matzow Gulbrandsen (Noruega)
Depois de ver três ovelhas mortas e devoradas pela metade em uma noite de lua cheia, o garoto Aslak, que vive em uma vila nas montanhas da Noruega, aventura-se por dentro desse ameaçador local.

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Vale das Sombras: nas montanhas da Noruega

8. Outrage Koda, de Takeshi Kitano (Japão)
Mestre dos filmes de yakuza, a máfia japonesa, Kitano mostra os conflitos entre duas famílias que lutam pelo poder. Esta é a terceira parte da trilogia composta de O Ultraje e Outrage: Beyond.

9. Scary Mother, de Ana Urushadze (Geórgia/Estônia)
Manana, uma dona de casa de 50 anos, se vê diante de um dilema. Ela precisa escolher entre a vida em família ou o seu amor pela escrita, atividade que reprime há anos. Manana decide seguir sua paixão, mergulhando em um sacrifício físico e mental.

10. Vigilia, de Julieta Ledesma (Argentina)
Santiago acorda no meio do deserto e vai até a casa do pai, que o recebe apontando uma arma. Ernesto decide sacrificar Arón, o cachorro, mas aparições fantasmagóricas abalam as bases da família.

13 fatos curiosos que explicam o temor pela Sexta-Feira 13

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Algumas curiosidades que ajudam a explicar a superstição de que hoje não é um bom dia para sair de casa.

  1. De acordo com os escritos bíblicos, a crucificação de Jesus Cristo, uma das passagens mais importantes aos cristãos, ocorreu em uma sexta-feira 13.
  2. O escritor inglês Geoffrey Chaucer, morto em 1400, já alertava em seus famosos Contos de Canterbury sobre os perigos de iniciar uma viagem ou projeto em uma sexta-feira. Segundo ele, trazia azar.
  3. Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, centenas de Cavaleiros do Templário, que faziam parte de uma sociedade medieval, foram capturados e queimados na França.
  4. Ao incluir esse episódio no livro O Código da Vinci, o escritor Dan Brown sugere que o temor pelo número 13 teria nascido dessa maneira.
  5. Na Última Ceia, Judas Iscariotes teria sentado no 13º lugar da mesa onde estava Jesus Cristo e seus outros discípulos. Isso teria associado um valor negativo ao número na cultura ocidental.
  6. A data também pode ter a ver com a criação do Clube dos Treze (The Thirteen Club). Em 1880, essa organização pretendia justamente desvalorizar essa crença acerca do número 13. Acreditava-se que quando 13 pessoas se sentavam em uma mesa, uma delas morreria em um ano.
  7. Em 1907, o empresário e autor americano Thomas W. Lawson (1857-1925), que era muito supersticioso, lançou o livro Friday the Thirteenth, o que teria reforçado essa crença.
  8. Na sexta-feira de 13 de setembro de 1940, o Buckingham Palace foi atingido por cinco bombas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.
  9. Alguns historiadores acreditam que foi nesse dia que Eva mordeu o fruto proibido.
  10. O filme Sexta-Feira 13, cuja primeira versão foi lançada em 1980, ajudou a popularizar o mito ao contar a história de um serial killer, Jason, que aterroriza um acampamento.
  11. O famoso desaparecimento de um avião chileno nos Andes, no qual os sobreviventes tiveram de comer carne humana para evitar a morte, aconteceu em 13 de outubro de 1972, uma sexta-feira.
  12. Em 1976, um homem estava tão amedrontado com a possibilidade de acontecer uma tragédia na data que permaneceu o dia todo em sua cama. Mesmo assim, ele morreu após o chão de seu apartamento ruir inesperadamente.
  13. Em 2010, um raio atingiu e matou um garoto inglês de 13 anos. Adivinha o horário? Às 13h13.

O sadismo de Darren Aronofsky em Mãe! beira o insuportável

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Jennifer Lawrence e Javier Bardem: a mãe-natureza e o pai de todos

Darren Aronofsky deve ter prazer em torturar o público, assim como deve sentir satisfação em maltratar suas atrizes. Foi assim em Réquiem para um Sonho (2000), cuja vítima foi Ellen Burstyn, depois em Cisne Negro (2010), com Natalie Portman, e, agora, Jennifer Lawrence enfrenta semelhante calvário em Mãe!, novo filme do diretor americano. Com tantos exemplos, um seguido do outro, fica difícil refutar sua veia sádica. Já a experiência do espectador é testada ao limite, como se ele desafiasse a plateia a fim de ver quantas pessoas deixarão a sala com enjoo antes do fim da projeção.

Não é uma estratégia nova, evidentemente. Suscitar polêmica é uma ferramenta muito útil para levar pessoas ao cinema, mesmo que elas saiam no meio do filme ou vaiem no final. O gênero de terror se move dessa maneira, expandindo os limites do absurdo e aumentando o nível de provocação. Imagino que um diretor deva achar ótimo quando alguém passa mal vendo seu filme, e a notícia circula pelo mundo todo. Isso desperta a curiosidade mórbida intrínseca do ser humano.

+ IT – A Coisa: o medo em seu estado mais primitivo

Foi o que rolou com Mãe!. No Festival de Toronto, no Canadá, onde foi exibido antes de estrear, parte do público vaiou após a sessão, enquanto outra parte, aplaudiu. Todos, no entanto, saíram chocados do cinema. Aronofsky conseguiu, mais uma vez, o que desejava: botar sua história na boca da mídia e do povo para garantir bilheteria.

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Jennifer Lawrence: um calvário nas mãos de Aronofsky

A polêmica gira em torno da reinterpretação que o cineasta se propõe, bem à sua maneira radical , do Gênesis, narrando em uma espécie de alegoria a criação do mundo e os primeiros pecados. Jennifer Lawrence é uma jovem que se dedica a cuidar da casa e  do marido, o escritor e poeta Javier Bardem, que passa por um bloqueio criativo. (Os personagens não têm nome no filme). Eles moram em uma casa isolada, perto de um bosque, que foi destruída por um incêndio e reconstruída cômodo a cômodo graças ao esforço dela.

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