Overload Music Fest tem line-up que aponta para o futuro do metal

Overload

Se fosse você não perdia o Overload Music Fest, que rola neste sábado (16/9), em São Paulo. É a quarta edição de um dos festivais que mais se esforça para trazer novos nomes do metal ao país, formando um line-up interessante que aponta para o futuro do gênero musical. Na falta de uma definição melhor, as bandas que se apresentam no evento — Enslaved, Sólstafir, Les Discrets e John Haughm — misturam black metal, shoegaze, rock progressivo e elementos eletrônicos. Lembrando: o festival rola no sábado (16/9), a partir das 16h30, no Carioca Club (casa de pagode que costuma abrigar metaleiros eventualmente, ali perto do Largo da Batata). Saiba mais aqui -> Facebook do festival.

Line-up
17h30: John Haughm (EUA)
18h30: Les Discrets (França)
20h15: Sólstafir (Islândia)
22h: Enslaved (Noruega)

Serviço
Data: 16/9/2016 (sábado)
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros (próximo ao metrô Faria Lima)
Abertura da casa: 16h30
Início dos shows: 17h30
Ingressos: R$ 200 (estudante e promocional) a R$ 400 no Clube do Ingresso
Classificação etária: 16 anos

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O fenômeno IT – A Coisa: o medo em seu estado mais primitivo

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O palhaço Pennywise está de volta em IT – A Coisa

O novo IT – A Coisa, adaptação do livro que Stephen King escreveu em 1986, funciona mais como aventura juvenil do que como filme de terror. A gente assusta, sim, mas a graça está mais na cumplicidade de uma turma de amigos rejeitada pelos colegas de classe. É aquela sensação que nos dá ao assistir, por exemplo, à série Stranger Things ou ao longa Super 8. Spielberg explora muito bem esse clima ao retratar em alguns de seus trabalhos jovens nerds desajustados e incompreendidos. Nos identificamos facilmente (e torcemos) pelos personagens porque são vítimas de um sistema adulto sacana.

O medo é o grande tema do filme. Ele dá força ao palhaço macabro Pennywise — quanto mais suas vítimas temem, mais ele se fortalece — e torna-se um desafio a ser superado ao longo da projeção. O medo também está dentro de casa, na relação doméstica. O pai de Beverlly (interpretada pela atriz Sophia Lillis), por exemplo, exige a pureza da filha ao mesmo tempo em que lança olhares lascivos para ela. Já a mãe de Eddie (Jack Dylan) protege tanto o filho que acaba fazendo dele um fracote com mania de doenças.

+ The Night of: quando o sistema te engole e você vira um monstro

Nesse sentido, o mérito da história vai mais para quem a criou, o mestre do terror de entretenimento Stephen King. O autor ajudou, em boa parte, com a reação dupla, entre o engraçado e o macabro, que temos quando estamos diante de um palhaço. No filme, Pennywise (um trabalho muito bom do ator Bill Skarsgard) assusta com seu olhar de louco, a voz suave e rouca, os dentes de tubarão e os movimentos cômicos e sinistros em um corpo possuído. Mais possuído que o Bozo depois de cheirar uma carreira (também em cartaz no filme Bingo).

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Neve Negra, de Santiago Nazarian – o trevoso da literatura nacional

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“Neve Negra”, o lançamento mais recente do escritor Santiago Nazarian

O escritor Santiago Nazarian já foi mais bizarro, histriônico, intenso, mais adolescente. Tanto na sua escrita quanto no seu comportamento. Hoje, imagino, ele deve estar na casa dos 40 anos. Também imagino que a idade tenha lhe trazido serenidade, uma visão mais distante do mundo, menos afoita. É o que deduzo depois de ler Neve Negra, seu mais recente romance e nono livro, uma boa história de terror que não se limita a entreter, mas vai além: toca em temas como paternidade, o papel do artista no mundo e o casamento.

Li suas primeiras obras — Mastigando Humanos, A Morte sem Nome — e sempre admirei sua coragem de fazer algo diferente, de arriscar novos formatos, de repetir as frases, de botar um monte de bicho como personagem, de sangrar na hora de escrever, de fazer uma literatura mais dark. Antes, era tudo visceral, com os excessos típicos da juventude. Se não estou errado, Nazarian começou a escrever bem jovem. Hoje, depois de terminar Neve Negra, senti que as sentenças estão mais bem pensadas. O que é bom, a meu ver. Nem sempre descarregar tudo de uma vez funciona como a gente deseja.

+ Já ouviu falar em immersive horror?

Neve Negra é costurado como filme de terror. Bruno, o protagonista, é um artista radicado na Europa que está de volta à casa da esposa e do filho pequeno, em uma cidade (creio que inventada) gelada de Santa Catarina, estado natal de Nazarian. Por causa de sua carreira bem-sucedida no exterior, ele é um pai ausente. Bruno chega em casa, depois de uma viagem de avião na classe executiva, pega um copo de uísque, prepara comida na cozinha e vai ver o filho no quarto. É tarde e está nevando lá fora.

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