FingerFingerrr: a nova cara do (garage) rock nacional

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Flavio Juliano e Ricardo Ceifas da dupla FingerFingerrr

Antes de se apresentarem no último sábado (dia 15), no Breve, em São Paulo, os caras do FingerFingerrr estavam sossegados na porta da entrada, tomando uma breja assim como as poucas pessoas que chegavam por ali em pleno feriadão de Páscoa. No mês anterior, haviam tocado em um dos festivais mais legais do mundo, o SXSW (South by Southwest), em Austin, Texas (EUA). Alguns amigos (que não estavam no show, claro) falavam deste duo paulistano de punk/rock/rap como expoente da nova cena do rock nacional. Fui lá conferir e gostei!

O fato de ter não mais do que 50 espectadores à frente do palco traz uma intimidade como se a banda estivesse tocando na sua sala. Não sei se foi culpa do feriado, acho que sim. Quando perguntei para o Flavio Juliano, o frontman, baixista e guitarrista do FingerFingerrr, sobre o público reduzido, ele foi bem honesto: “Eu esperava menos! Dá pra sentir o clima de um show durante o Dia D, se a galera está mobilizando ou não… e o feriado de Páscoa estava zoando o clima geral. Fiquei feliz que foi uma galera”.

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FingerFingerrr toca no Breve, em São Paulo (Foto: Fernanda Foloni)

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O Flavio é uma figura! De paletó branco, calça branca e bota branca, não sabemos se estamos diante de um rapper, do terceiro elemento do White Stripes ou do Roberto Carlos. Aí vem uma paulada punk, rápida e brutal: “Eu Só Ganho”, a música que abre e fecha o show. Caralho, os caras têm pegada! Imaginar que o som barulhento do FingerFingerrr é feito por apenas duas pessoas — em muitas faixas com apenas um baixo distorcido e uma bateria — é surreal.

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Calma, Shyamalan, não vai cair na mesma cilada de sempre

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James McAvoy em “Fragmentado”, novo filme de M. Night Shyamalan

M. Night Shyamalan deve lutar contra um estigma dentro de si. Depois do sucesso precoce de O Sexto Sentido, que ele dirigiu quando tinha 29 anos, todo mundo espera algo genial vindo dele (uma reviravolta, uma surpresa à altura de “I see dead people…”). O pior é que ele parece aceitar esse desafio e muitas vezes, na ânsia de elaborar um roteiro mirabolante, as coisas acabam desandando. Calma, Shyamalan, cuidado com essa cilada!

O que vejo de genial, no entanto, neste cineasta indiano que no começo da carreira era tratado como discípulo de Hitchcock é o fato de trabalhar cenas e imagens com o zelo de um costureiro, amarrando as sequências com habilidade e movendo a câmera sempre com um propósito. Menos por ser o “rei do twist”. Quanto à habilidade visual, por outro lado, Shyamalan continua sendo um dos melhores.

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Aí entrei na sala de cinema para ver Fragmentado, seu novo filme que tem dividido opiniões (tenho amigos que amaram e outros que detestaram). Eu não amei, mas gostei justamente pelo que escrevi no parágrafo anterior: Shyamalan é mestre na composição de cenas, trata a câmera como uma ferramenta para hipnotizar o espectador. E consegue.

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