Os poucos filmes de terror que ganharam o Oscar

Cena de "O Bebê de Rosamary", que rendeu a Roman Polanski o Oscar de roteiro

Cena de “O Bebê de Rosemary”, que rendeu a Polanski o Oscar de roteiro

Mais uma lista de indicados ao Oscar divulgada, mais uma lista sem filmes de terror. O desprezo pelo gênero, como já sabemos, é histórico, vem desde o início da premiação, em 1929. Fiz um apanhado entre os principais vencedores e indicados ao prêmio para ter uma noção de como esse tipo de produção é preterido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Ok, nem levo tão a sério assim a premiação, grandes filmes são esnobados ano a ano, mas é curioso perceber a presença minguada do gênero entre os selecionados. O registro a seguir começa em 1932, quando o ator Fredric March levou a estatueta por O Médico e o Monstro, de Rouben Mamoulian, e termina em 2015, último ano de que me lembrei de uma indicação importante a um filme de horror (para a atriz Rosamund Pike, em Garota Exemplar).

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Isso serve tanto para destacar ótimas produções esquecidas pelo tempo quanto para ressaltar o estranho mundo dos votantes do Oscar, que deixaram de fora da disputa filmes como O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, e diretores como John Carpenter e, pior ainda, Alfred Hitchcock, ambos ignorados pela Academia. Hitchcock chegou a ser indicado cinco vezes como diretor, mas não levou em nenhuma delas. Só recebeu um prêmio de consolação, o Irving G. Thalberg Memorial Award, em 1968.

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Para ver no NOW: Creepy, do mestre japonês Kiyoshi Kurosawa

Yasuko (a atriz Yûko Takeuchi) contracena com Nishino (Teruyuki Kagawa) em "Creepy"

Yasuko (Yûko Takeuchi) contracena com Nishino (Teruyuki Kagawa) em “Creepy”

Não sei se Creepy, do japonês Kiyoshi Kurosawa, passou pelos cinemas do Brasil, mas está disponível para ser visto no NOW, o serviço de streaming da NET. Se estiver de bobeira aí, é um belo programa. Recomendo.

É um filme de horror que faz ótimo uso do suspense para prender o espectador. Kurosawa é um diretor tão habilidoso e paciente que passeia com êxito por diversos gêneros. Já fez drama (Sonata de Tóquio), ficção científica (Real) e filmes para TV sobre mafiosos japoneses, mas é no horror que ele se torna genial.

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Antes de Creepy, lançado em 2016, ele ganhou notabilidade como diretor de produções como A Cura (1997) e Kairo (2001), entre outras.

O que mais se destaca no cinema de Kurosawa é a construção de um clima que, além dos atores, tem papel fundamental no desenvolvimento da história. Normalmente, ele elabora os roteiros sem descrição de cenas e explora as locações no momento da filmagem. Assim, ele se deixa surpreender pelo que encontra no caminho e inclui na trama uma espécie de alma do lugar onde se passa a história.

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