50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, para a Loudwire

O fim de ano se aproxima e as listas de melhores discos e filmes abundam em sites e revistas. A publicação americana Loudwire, especializada em hard rock e heavy metal, soltou uma seleção legal (com algumas polêmicas) dos 50 melhores álbuns de metal de todos os tempos, com comentários justificando cada escolha.

Em geral, considero uma lista justa e abrangente das diferentes vertentes do gênero, do power ao black metal. Há, no entanto, apostas pouco óbvias, como meter o Korn (por ser um dos criadores do nu metal) e o metal progressivo do Dream Theater entre Black Sabbath, Metallica e Iron Maiden. Num honroso 21º lugar aparecem os brasucas do Sepultura com Beneath the Remains, de 1989.

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Talvez a posição mais inusitada seja a 11ª colocação para os armênios radicados nos Estados Unidos do System of a Down, devido ao sucesso espetacular e a inovação de Toxicity. Pessoalmente gosto dessa aposta; colocaria, no entanto, mais para o meio da lista. Senti falta, por outro lado, de bandas como Carcass (Heartwork estaria na minha lista), Lamb of God (As the Palaces Burn, a meu ver, merecia ser lembrado) e AC/DC (tudo bem, eles estão na fronteira entre o rock e o metal, mas valeria a menção).

Confira a lista completa abaixo:

1. Black Sabbath, Paranoid
2. Metallica, Master of Puppets
3. Iron Maiden, The Number of the Beast
4. Slayer, Reign in Blood
5. Pantera, Vulgar Display of Power
6. Ozzy Osbourne, Blizzard of Ozz
7. Judas Priest, Screaming for Vengeance
8. Metallica, Ride the Lightning
9. Megadeth, Peace Sells… But Who’s Buying?
10. Black Sabbath, Master of Reality

'Master of Puppets', do Metallica, sempre no topo de qualquer lista

‘Master of Puppets’, do Metallica, sempre no topo de qualquer lista

11. System of a Down, Toxicity
12. Motorhead, Ace of Spades
13. Tool, Lateralus
14. Venom, Welcome to Hell
15. Opeth, Blackwater Park
16. Black Sabbath, Black Sabbath
17. Dio, Holy Diver
18. Judas Priest, Sad Wings of Destiny
19. Mastodon, Leviathan
20. Rainbow, Rising

'Black Sabbath', do Black Sabbath: o pai de todos

‘Black Sabbath’, do Black Sabbath: o pai de todos

21. Sepultura, Beneath the Remains
22. Slayer, Seasons in the Abyss
23. Black Sabbath, Heaven and Hell
24. Queensryche, Operation: Mindcrime
25. Dream Theater, Images and Words
26. Exodus, Bonded by Blood
27. Entombed, Wolverine Blues
28. Celtic Frost, To Mega Therion
29. Anthrax, Among the Living
30. At the Gates, Slaughter of the Soul

'Beneath the Remains', do Sepultura: único representante brasileiro da lista

‘Beneath the Remains’, do Sepultura: único representante brasileiro

31. Judas Priest, British Steel
32. Metallica, Kill ‘Em All
33. Megadeth, Rust in Peace
34. Death, Human
35. Iron Maiden, Powerslave
36. Metallica, The Black Album
37. Emperor, Anthems to the Welkin at Dusk
38. Mercyful Fate, Don’t Break the Oath
39. Korn, Korn
40. Bathory, Bathory

'Powerslave', do Iron Maiden: clássico britânico

‘Powerslave’, do Iron Maiden: clássico britânico

41. King Diamond, Abigail
42. Neurosis, Times of Grace
43. Helloween, Keeper of the Seven Keys, Part I
44. Morbid Angel, Altars of Madness
45. Iron Maiden, Iron Maiden
46. Darkthrone, A Blaze in the Northern Sky
47. Cannibal Corpse, Tomb of the Mutilated
48. Slipknot, Slipknot
49. Mayhem, De Mysteriis Dom Sathanas
50. Accept, Balls to the Wall

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Krisiun: o novo disco em show pequeno e brutal no ABC

 

Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury

Krisiun em São Bernardo: turnê de Forged in Fury

A experiência de ver o trio gaúcho Krisiun é sempre devastadora. Eles são rápidos, pesados e a sensação é de que você está no fogo cruzado de uma guerra, entre tiros de metralhadora e bombardeios. Neste sábado (28), o melhor grupo de death metal do país subiu ao palco do Anexo Brasa, em São Bernardo do Campo, para divulgar o novo álbum, Forged in Fury, lançado em agosto de 2015.

O disco, lançado pela Century Media e com produção de Erik Rutan, que já trabalhou com bandas como Morbid Angel, uma das influências mais declaradas pelo Krisiun, e Cannibal Corpse, tem sido encarado como um dos melhores feitos dos caras. Em crítica bem positiva, a prestigiosa publicação Metal Hammer concedeu ao álbum 8 de 10 pontos na sua escala de avaliação. É realmente muito bom, mais pesado e musicalmente mais bem resolvido do que o anterior, The Great Execution (2011), produzido na Alemanha.

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E funciona ao vivo. Na apresentação que rolou ontem, após a banda excursionar por Estados Unidos e Europa, Scars of the Hatred, por exemplo, atingiu o público de pouco mais de 150 pessoas como um rolo compressor impiedoso. A bateria de Max Kolesne e a guitarra de Moyses soaram como uma metralhadora fuzilando tudo pela frente. Alex Camargo (vocal) disse que se sentia entre amigos tocando no quintal de casa. De fato, o clima informal e o espaço pequeno deram uma pegada ainda mais brutal para o show. “Viva o ABC e o metal nacional!”, gritou para a galera.

O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC

O guitarrista Moyses Kolesne em ação no ABC

O repertório combinou músicas novas e antigos sucessos como Descending Abomination, do disco The Great Execution (2013), Vengeances Revelation, do Apocalyptic Revelation (1998), e Combustion Inferno, do Southern Storm (2008). É notável como o trio segue fiel (ainda bem!) à sua personalidade trash ao longo da trajetória, sem ceder a modismos ou aliviar a pegada. Tem, sim, uma evolução perceptível, principalmente em termos de clareza e nuances tanto da gravação quanto das composições, mas tudo funciona para deixar mais evidente a habilidade monstruosa dos músicos e a crueza do som.

Desde 2013, quando tocaram pela primeira vez no festival Rock in Rio, o Krisiun fez aparições mais constantes em casas e eventos menos acostumados ao gênero, a exemplo da apresentação na Virada Cultural neste ano. São mais de 25 anos de carreira e um respeito merecido tanto do público nacional quanto, principalmente, dos headbangers de fora do país. É o mesmo percurso de sucesso conquistado pelo Sepultura, mas sem os desvios de rota.

Aqui embaixo o vídeo de Blood of Lions:

Zé do Caixão: mostra tem tripas, caveiras e braços decepados

Zé do Caixão (Divulgação/MIS)

Zé do Caixão (Divulgação/MIS)

Veio em bom momento a exposição do MIS, em São Paulo, dedicada ao mestre do horror nacional José Mojica Marins. O cineasta de 79 anos passa por maus bocados: sofreu duas paradas cardíacas, ficou internado no hospital por seis meses e, agora, em casa sob os cuidados da filha, Liz Vamp, luta contra um enfisema pulmonar. Vai e volta do hospital para fazer diálises num roteiro desgastante. Conversei com a sua filha por telefone e, muito paciente e atenciosa, ela explicou que a voz do Zé do Caixão, normalmente potente e empostada, está fraquinha, quase não sai de sua boca.

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Ou seja, a mostra À Meia-Noite Levarei Sua Alma é uma homenagem justa e oportuna. Antes dela, a 39ª Mostra de Cinema de São Paulo também fez a sua parte: concedeu a Mojica o prêmio Leon Cakoff e exibiu sua famosa trilogia: À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008).

Exposição À Meia-Noite Levarei Sua Alma, no MIS (Fernando Masini)

Exposição À Meia-Noite Levarei Sua Alma, no MIS (Fernando Masini)

Quase todo o material exposto integra a coleção preservada por Marcelo Colaiacovo, curador do acervo do cineasta e um de seus assistentes de direção. Não é uma seleção extensa, ocupa apenas o primeiro andar do museu, mas os fãs vão se divertir. É tudo meio tosco, como, nesse caso, tem que ser. Cada vitrine, com cartazes, escritos originais, fotos de cenas, VHSs, recortes de revistas e objetos cênicos, representa um filme, entre eles Delírios de um Anormal (1978) e Ritual dos Sádicos (1970), este último censurado pelo regime militar.

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Um caixão disponibilizado pelo Cemitério da Consolação para o filme Encarnação do Demônio é exibido ao lado do famoso traje preto de Zé do Caixão criado pelo estilista Alexandre Herchcovitch. O visitante encontrará também um filme em película 16 milímetros de À Meia Noite Levarei sua Alma e um troféu de 1973, recebido por Mojica no Festival Internacional de Cine Fantástico y de Terror Sitges, na Espanha.

Mostra dedicada ao Zé do Caixão (Divulgação/MIS)

Mostra dedicada ao Zé do Caixão (Divulgação/MIS)

A sala mais ousada da exposição, que foge das soluções óbvias de curadoria compostas de texto e foto, reproduz o inferno. Ou como seriam as trevas na visão do Zé do Caixão. Paredes e azulejos se misturam a tripas como se fosse uma obra de Adriana Varejão. No ambiente de luz avermelhada, uma caveira repousa numa banheira e bonecos decepados pendem do teto de uma sala de cirurgia. O ambiente é ideal para fazer sua selfie macabra!

O circuito é pequeno e deixa o visitante com vontade de saber mais sobre a vida de Mojica. E por que não há trechos de seus filmes? Os vídeos curtos cumprem somente função decorativa.

Para saber mais sobre Zé do Caixão recomendo o livro Maldito, dos jornalistas André Barcinski e Ivan Finotti. Está esgotado, mas dá para achar em sebos. Força, Mojica!