At the Gates em São Paulo: a lenda sueca (último show?)

Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)

Show dos suecos do At the Gates no Clash Club, na Barra Funda, em São Paulo (Foto: Fernando Masini)

Pena que pouca gente (não mais do que 300 pessoas na minha conta a olho nu, ou seja, sem tanto valor científico) tenha visto o show do At The Gates neste domingão (13) gelado em São Paulo. Será que perderam a noção de quem são os caras? Cadê os metaleiros da capital? Vendo Dança dos Famosos no Faustão?

Afinal de contas, estamos falando da banda que deu novos ares ao death metal sueco, principalmente com o lançamento de Slaughter of the Soul, disco de 1995 lançado pelo selo Earache que se tornou um clássico do gênero. Go! Numa lista organizada pelo site Metalsucks, do grande Axl Rosenberg, que ouviu críticos, músicos e outros especialistas, o At The Gates figura entre as 20 melhores bandas de metal de todos os tempos, atrás apenas de nomes como Metallica, Iron Maiden, Carcass.

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Eles subiram ao palco do Clash Club, na Barra Funda, às 20h, embora o show estivesse previsto para começar às 20h30. Sem frescura, com um boné para esconder a cabeleira rala, Tomas Lindberg (vocal) despertou a plateia composta de fãs das antigas (poucos jovens estavam presentes) com duas pauladas: Death and the Labyrinth, música que abre o novo disco, At War with Reality (2014), e Slaughter of the Soul, uma das mais esperadas da noite.

Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)

Um ano depois de lançar At War with Reality, os suecos do At the Gates fazem show para um público miado (Foto: Fernando Masini)

Foi um show rápido, seco e pesado. Uma hora e meia de um death metal que muita gente tenta copiar mas não consegue, no qual há um exato equilíbrio entre frases melódicas sem nenhuma afetação, letras melancólicas e a rapidez do metalcore. “We are back. We love death metal”, gritou Lindberg, o mais enérgico do palco, que comandou a galera do início ao fim, batendo na mão dos fãs mais próximos do palco e interagindo com os irmãos Anders e Jonas Björler (guitarra e baixo, nessa ordem).

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Legal ver um tiozão no meio da roda, de óculos como se fosse um nerd entre os metaleiros, pogando sem medo de levar paulada de marmanjo e cantando as letras de cabo a rabo. A coisa pegou fogo mesmo com Suicide Nation, Under a Serpent Sun e, claro, Blinded by Fear, a canção que projetou o grupo sueco nos anos 90.

Há um gostinho histórico nessa apresentação do At the Gates, que encerrou a turnê pela América Latina, passando por Argentina, Chile, Bolívia, México e outros países, já que ninguém sabe se os caras vão continuar na ativa por mais tempo. Depois de rupturas e quase 20 anos sem lançar uma música nova (o disco mais recente, At War with Reality, é de 2014 e foi considerado por muitos críticos o melhor do ano passado), ter o privilégio de vê-los valeu a noite. Que continuem a todo vapor!

Não conhece o som dos caras? Dá uma olhada no clipe abaixo da música The Book of Sand (The Abomination), lançado na semana passada.

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