O metal levado ao extremo

Um dos casos mais escabrosos do heavy metal é a história da banda Mayhem. Formado em 1984, em Oslo, o grupo foi o principal fundador do Black Metal Norueguês, um braço do metal que se transformou em estilo de vida, além de sua música agressiva e de suas letras demoníacas.

dead

O segundo vocalista, o sueco Per Yngwe Ohlin (mais conhecido como “Dead”, foto acima), não se limitava a subir ao palco e soltar sua voz gutural: ele tinha o hábito de se cortar com facas nos shows, pendurar cabeças de animais mortos, como porcos e ovelhas, na frente do palco e se pintar como um defunto (de branco e preto).

Em 1991, a banda se reuniu numa casa de campo afastada de Oslo. Trancado no quarto, Dead cortou os pulsos e deu um tiro na cabeça. Deixou em tom irônico o seguinte bilhete: “me perdoem por todo esse sangue”. Oystein Aarseth (Euronymous), o guitarrista da banda, encontrou o parceiro morto, mas decidiu não chamar a polícia. Tirou fotos da cena escabrosa e (dizem) fez uma sopa de vegetais e legumes com pedaços do cérebro de Dead. O registro do corpo com a cabeça estourada estampou, mais tarde, um dos álbuns ao vivo da banda.

Mayhem_Band

E não para por aí. Na noite de 10 de agosto de 1993, o baixista da banda, Varg Vikernes, envolvido em incêndios criminosos de igrejas na Noruega, viajou mais de 500 km até o apartamento de Euronymous e o assassinou com mais de 20 facadas. Alegou que ele havia sido ameaçado de tortura pela vítima.

Desde a sua formação, a banda já lançou 6 álbuns e continua na ativa.

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Brasileiro bomba com curta de ficção científica

Marcus Alqueires tem 34 anos, fez desenho industrial na UFRJ e mora no Canadá, em Toronto, onde trabalha como animador. Ele chamou a atenção de um dos fodões da Marvel, Joe Quesada, ao criar, dirigir e produzir um filme de 9 minutos chamado “The Flying Man”. Dá para ver o curta completo abaixo.

Impressiona muito a qualidade do filme, sobre um homem voador que amedronta uma cidade dos EUA atacando quem tem antecedentes criminais. Os efeitos especiais são de primeira, os efeitos sonoros parecem realizados num grande estúdio. Mas fica a sensação de que é um amontoado de clichês do gênero de filmes apocalípticos de Hollywood: helicópteros sobrevoando os céus, passagens de noticiário anunciando o caos na cidade, dois criminosos esperando dentro de um carro (um deles com o cigarro na boca e o outro mais bonachão).

Onde estão os filmes de terror nacionais?

É triste pensar que na nossa cinematografia os filmes de horror são tão raros. Fala-se apenas em Zé do Caixão, e o assunto morre aí mesmo. Fiz um exercício pessoal a fim de tentar lembrar qual foi o último longa de terror brasileiro que eu vi. Lembrei então de “Fronteira”, do mineiro Rafael Conde. Imagino que pouquíssimas pessoas tenham visto. Mas chegou a ficar em cartaz por algumas semanas no finado Belas Artes (graças à benevolência de André Sturm), um dos últimos cinemas de rua de São Paulo que resistiram à invasão dos blockbusters.

FRONTEIRA Alexandre Cioletti - foto Bianca Aun

Mas, enfim, o filme de Conde é de 2008. E é bom pra caralho, dá para baixar ou pegar na locadora. Adaptação da obra do maldito Cornélio Penna, escritor de Petrópolis que morreu nos anos 1950. O que importa é a atmosfera que o diretor consegue criar nos casarões do interior de Minas, onde um viajante encontra uma garota que vive presa no quarto. Dizem que ela é santa.

FRONTEIRA Berta Zemel  - foto Bianca Aun

Numa entrevista que fiz com Conde para a revista Trópico (http://www.revistatropico.com.br/tropico/html/textos/3041,1.shl), ele diz que “o livro é narrado em primeira pessoa e na teoria era para o leitor entender melhor o protagonista, o que não acontece. Ele não dá pista; uma hora é profano e fala de pecado, em outra se comporta como seminarista. É algo muito confuso. O próprio Cornélio era uma figura muito esquisita. Ele morreu de câncer, e não deixava ninguém examinar seu corpo”.

Coloco o trailer do filme abaixo para entrar no clima:

5 cenas antológicas do terror

NOSFERATU (1922), de F. W. Murnau

Este clássico de Murnau tem o poder de reproduzir o clima assustador e decadente do período entreguerras (um representante do expressionismo alemão) e será sempre lembrado como o primeiro grande filme de vampiro. Apesar de não ser uma adaptação legítima, a história é toda baseada no “Drácula”, de Bram Stocker. Murnau roubou a história na cara dura, depois teve problemas na justiça. Aqui, a criatura interpretada por Max Schreck é um doente grotesco, careca, com orelhas de morcego e dentes de coelho. Longe de ser uma figura sedutora e atraente. Nesta cena, sua famosa sombra aparece invadindo o quarto da mulher de Hutter, enviado a Transilvânia para vender uma propriedade ao conde Orlok.

 

O EXORCISTA (1973), de William Friedkin

Tudo o que veio depois de 1973 sobre garotas indefesas possuídas pelo demônio é cópia deste clássico de Friedkin, em que a atriz Linda Blair blasfema, vomita um jato verde, masturba-se com um crucifixo, levita e desce a escada como uma aranha alucinada. A história foi inspirada num caso real de exorcismo nos EUA em 1949. Até o cartaz é um primor, com um jogo sinistro de claro e escuro cujo propósito é anunciar que algo terrível está para acontecer. Entre tantas cenas antológicas escolhi a que Blair gira o pescoço em 360º.

 

SUSPIRIA (1977), de Dario Argento

Depois de Mario Bava, o italiano Dario Argento é sem dúvida o nome mais importante do horror naquele país. Faz um cinema estilizado, extravagante e explora o caráter sobrenatural dos sonhos. Merece o título de um dos pais do cinema giallo (tramas associadas a uma série de assassinatos). “Suspiria” é seu filme mais famoso. Dá para experimentar o universo do cineasta na cena abaixo. Atenção para os gestos coreografados e para a insana música da banda de rock progressivo Goblin (gritos, sintetizadores, sussurros…)

 

SCANNERS (1981), de David Cronenberg

O mais legal de ver os filmes do canadense Cronenberg é perceber a sua obsessão pela mutação do corpo humano, como um membro pode virar uma máquina e como a mente tem o poder de degenerar as pessoas. É um dos cineastas mais sofisticados do horror. Transforma a psicologia em imagens como poucos. “Scanners” não é o seu melhor filme, mas a cena em que o telecinético Revok causa a explosão de uma cabeça num auditório é fenomenal.

 

O SILÊNCIO DOS INOCENTES (1991), de Jonathan Demme

Tem o mérito inquestionável de ser o único filme de terror a ganhar o Oscar de melhor filme. Pensando nos velhinhos conservadores que formam a Academia, é de tirar o chapéu. Aqui, Jodie Foster faz uma agente que precisa da ajuda de um psiquiatra canibal (Hopkins) para entender a mente de um assassino. Demme trabalhou com Roger Corman (o mestre do filme B) no começo da carreira. Na cena a seguir, Dr. Lecter morde um policial na cela, lambuza a boca de sangue e escapa da prisão.